POESIA & INSIGHTS
"A poesia não é minha. É como o vento, que só passa através de mim." Chico Xavier

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Miilaprakrti


67

" The GunaBody, or that form of S'akti mentioned
above which is manifested gradually from Kala" (6. ei-
ea) consists of the three Gunas, as already remarked.
It has to be added that each Gima, while evolving in the
manner described, comes under the special protectorship
of Aniruddha in the form of the Trimiirti ; that is to
say : Aniruddha as V i s n u becomes the superintendent
of Sattva, as B r a h m a n that of Rajas, and as R u d r a
that of Tamas. These three gods, together with their
S'aktis (Laksmi, Sarasvati, Gauri) ', regarded as the
forces underlying the formation of the Avyakta, are
called in Laksmi Tantra (6.20-21) the "Sheath of
Generation" (prasuti-kos'a)*. In the same text
(4. 82 fll.) it is stated with regard to the first
origin of the Gimas that they have been formed from
[an infinitesimal part of] the first, second, and third of
the six Gunas of the Lord. 3 The qualities which
become manifest through the Gunas are according to
Ahirb. Samh. : (i) lightness, brightness, healthiness,
pleasure ; (2) motion, passion, restlessness, pain ; and (3)
heaviness, obstruction, inertia, stupefaction.

After the Gunas have evolved separately, they be-
come, " for the purpose of creation ", a uniform mass
called as a rule A v y a k t a (the Non-manifest)
or Miilaprakrti (Root-nature), but also, according to

1 Who, however, according to Laksmi Tantra V, 6 HI., have
sprung: Brahman and Laksmi from Mahalaksmi -f Pradyumna ;
Rudra and Sarasvati from Mahakali-)-Sanikarsana ; and Visnu and
Gauri from Mahavidya+Amruddha.

2 This is the third kas'a or material " husk " of the Devi, the
second being the above-mentioned Maya Kos'a, and the first the
S'akti Kos'a comprising the Vyuhas and their S'aktis. Three more
Kos'as are connected with the lower primary and the secondary
creation to lie described in the next two sections of this Introduction.

3 The other three being employed for the creation of Kala ; ibid.
V, 24-25.


* Ahirbudhnya Samhita, de Otto Schrader.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Verbo "carinhar" existe?


As balinhas doces estavam escondidas debaixo do potinho de curcumã.
Sabia eu que elas estariam ali, a não ser pelo ser intuitivo que sou, sacando que, por debaixo do tapete das nossas máscaras, sempre existe um melzinho escondido.

Sacando o doce escondido atrás das tempestades que não páram, pergunto onde estão teus tamborins*? E se por acaso estão tirando dor de torcicolo, ao remexer e sacudir e desmantelar uma alma já dura de tanto se proteger da chuva, entrego os tais ao canto da parede.

Fiquem parados bem aí, porque quero carinhar o dono: quero abandonar a velha mão com meus dedos que apontam, para tocar num rosto que tem medo de quem bate. E olhar para um pedaço de céu guardado naquela íris, tão tímida e infinita, e reconhecer Narciso estampado nela.

Eu, que estarei carinhando eu mesma, porque sou o interesse do teu interesse em ser carinhado por você mesmo. Nada confuso, simples como a receita de um brownie, que ao ser acrescentado de sorvete de baunilha, fica bom de qualquer jeito.

E sendo assim declaro, que a partir da meia noite, entre os dias 10 e 11 de dezembro de 2009, o verbo carinhar passa a existir oficialmente. Porque se temos a ação, mesmo que o conhecimento seja completamente o oposto dos disposto, o verbo há de existir.

Assinado:
Eu, o ignorante, mas carinhoso.



* dúvida de Zeca Baleiro.

Tempo Voa


Não, errei: tempo não voa - ele adoece e morre.

Ele passa tão rápido que nem dá tempo ao tempo,
e quando vi,
já passou do tempo e foi-se embora.

Bate sino, arrepia na despedida.
Cai folha, envelhece.
Nasce, cria.

Cuido do tempo lá fora, porque no relógio onde mora,
só encontro números.

E nas promessas, o presente sem embrulho.
E no presente, fundo da caixa estava vazia.

Não foi num rio, nem no vento,
não foi no tempo do beijo,
nem num espaço de tempo que contei os minutos...

Mas foi na batida da poesia
dentro e fora da rima
que o descobri se abastecendo.

Antes que, pleno,
esse amor fugisse do tempo: dando um tempo pra ele mesmo.

sábado, 5 de dezembro de 2009

poesia sem














sem sentido se ficar inibindo;
sem graça se não tiver a piada
sem rima se um estiver desistindo.

A vida é grande demais pra ficar se escondendo entre os dedos de um cachorro.
Vácuo, esquisito vazio sem nem ao menos, silêncio frio.

Uma vida inteira, não quero ficar entendendo o que não tem sentido.
Gastando digitais do dedo,
Gastando pele da vida - nem da minha, nem da tua.

Você fechado como um barril cheio de vinho DOCG, esperando o tempo passar.
Pra ficar mais rico?
Vai ficar mais caro?
Quer ficar amargo???
Antigo?

Não compartilha, não se atira, na verdade, nem desafia - mas desafina.
Na tênue linha entre sair de um quadrado e ver a luz do outro lado do túnel.

Eu, cansada de ser enganada, arrumo as malas.
Tempo na ampulheta começa a contar pros meus dias de Janeiro.

Ciclo se encerra.
Poesia, também.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Grande perda grande ganho







Ao invés
de ficar triste
com o que se foi,












Comemora
o que
ficou.










O EU, continua.



(Glória Arieira comentando o capítulo XV/2 da Gita)

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

o que menos importa



pouco me importa se meu ombro descascou ou não. prefiro saber se o sol anda alimentando você bem, com a quantidade certa de vitamina E.

não estou nem aí se você saberia repetir tudo aquilo que te disse ontem, ou se esqueceu de que havia conversado comigo. prefiro te perguntar se andas dormindo bem.

nunca saberei se teu sorriso esconde medo, porque dentro do meu é tudo que tenho. o interessante dos dentes é que eles aparecem na gargalhada e na raiva também.

então, caio no balanço dos meus sentidos que soluçam por uma calma minha. "calmamiila, calmamiila"...

e me percebendo, vejo no espelho ou minhas olheiras ou meu sorriso, conforme a voz que escuto, conforme a pessoa que converso. e talvez seja isso.

aliás, é isso: não basta carro importado - que ao invés de símbolo de um leão, ou de um jaguar, ou de sei lá o quê, que teu veículo tenha uma tatuagem.

que ao invés de mesas com aquele monte de talheres e copos e garçons, tenha picnic na areia. simples assim. e sem tênis, ainda sinto meus pés no chão.

o que faz sentido do meu lado esquerdo, não faz do lado direito. mas posso diferenciar aquilo que me deixa feliz e rindo sem motivo de tudo aquilo que me confunde, me desilude...

e hoje caminhando em busca do meu almoço, o que coloquei no prato foi salada e proteína, mas o que comi foi pensamentos de gratidão pela tua existência, digerindo você espiritualmente, aceitando que tua felicidade me inspira, que tua ausência cola em mim, que

que

que

que

tua escrita me cutuca pra caminhar e ser feliz.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Vai e Volta e o que existe entre um ponto e o outro




Me passa a borracha por favor.
Parece que já li, ouvi e vi essa história antes. Talvez eu apague um pedacinho pra ver se ela se reinventa no próximo século e vira frisson na literatura ou no cinema.

Foi Paulo Coelho quem contou que, sentando na pedra ele sentava e chorava. Deu a volta no mundo todo pra entender que debaixo da bunda dele estava o tesouro que tanto procurava.

Depois de um certo upgrade intelectual meu, fui assistir O poder além da vida, e Nick Nolte (só gravo pelo nome dos atores, e nunca pelo personagem, por isso parei de ver novela) fez o garoto perfil americaninho de fuleiro fanfarrão e que de repente tem o clique, subir uma montanha e achar uma pedra (olha a pedra novamente) pra entender que o "que ele tanto procurava estava dentro dele, e não esperando em algum lugar no final da caminhada".

Dammit! E eis que no livro de Herman Hess Sidharta Gautama, o mesmo drama encontra os olhos meus. Saindo desenfreado mundo a fora, procurando do lado de fora o que, no fim da história (vida) descobre estar debaixo do nariz dele, vai Sidharta aproveitar tudo de bom que o mundão oferece praqueles que ainda acreditam estar perdendo alguma coisa quando resolvem se ENTREGAR*. Buscando o efêmero, as coisinhas que me fazem tinhoso (a), os cheirinhos, estímulos visuais do que é bonitinho (a), para que, peloamordeDeus seja mais fácil o processo até eu cair na cama e acordar uma nova mulher (homem).

(porque será que temos vontade de tomar banho quando fazemos besteiras e queremos nos livrar delas?)

*Entregar-se: ao silêncio, ao amor, a vontade de casar e ter mais filhos, a permissão de parecer brega porque a vida toda esculhambei quem quis casar e ter filhos e agora percebo o vazio se instalando; a troca da solidão no meio de uma multidão, pela solitude boazinha abraçado no ar condicionado.

Não saio mais do lugar: fui parar em Oahu, SanFranscisco, procurei em Nova York, em Buenos Aires. Fui pra Salvador que não salvou dor alguma; depois Guarda do Embaú, Ferrugem, Garopaba, Portinho, Novo Hamburgo, vulgo Nóia. na Georgia visitei o Elvis, fiz perguntas mas parece que ele dançou. No Alabama, Mississipi, Arizona, Los Angeles, Tijuana, San Diego, e Miami que nunca me amou. No Chile fui parar no Paraguai. Em Recife resolvi me perder na Uruguaiana. E depois Nova York novamente, pra ter certeza do que eu ainda não tinha certeza:

De que, entre a ida e a volta, existe o que nunca bate a porta.
Aquela (e) que fica quietinho esperando eu dar uma chance e me entregar.

E aquela criança que eu tanto procuro, que perdi com medo do escuro, de tanto dar voltas no mundo, não está longe, nem dentro de mim.

Está entre um extremo e o outro: aqui do lado.

A criança dentro de mim, refletida nos olhos de um filho meu, esperando a hora de poder voltar a brincar.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Janela da alma



Existe um homem parado na porta.
Mas não é um hominho; é um homem de verdade.

Não traz nada na cestinha da bicicleta, simplesmente porque não há cestinha na bicicleta -
a cestinha cheia de sensibilidade está muito bem guardada no meio do peito.

Tem um homem parado na porta: remexe na mochila, procura o que não sai quando abre os fechos - está onde abre a porta.

Tem um homem de bicicleta parado na porta: faz caretas quando fala, enruga a testa na certeza, autêntico na saída, perfeito na sobrevivência.

Homem chega inteiro e sai inteiro, intacto, não tocado, a não ser por meu perfume, que como o de flor, chega de longe e fica colado na memória.

Homem lindo que não toca no interfone, distante invade meu sono; com medo evita meu olho, prefere ter a pele lida pela água do mar.

Homem indo, homem vindo, meu amigo mais preto do que branco, sai da porta!
Entra pela janela. Janela que parece fechada, mas janela que nunca esteve trancada. Janelinha da minha alma.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Jornal lido deve ser reciclado?



Meu amor acaba de pedir um tempo: precisa mais de conversas de bar, precisa mais de barulho alto, pra abafar o som do coração. Precisa de céu; quer terra não.

Meu amor acaba de saltar de bugging jump sem corda de elástico, porque ele quer adrenalina, e euzinha prefiro hormônios de relaxamento...

Meu amor saiu sutilmente, fazendo de conta que é do bem, que não quer me magoar.
Tem como não se magoar? Se tem como por favor, alguém me ajude, porque estou re_voltada, tipo andando pra trás mesmo...

Do tudo, me joga num precipício sem fundo, porque precisa pensar, precisa se juntar, precisa se confrontar.

E eu aqui em Copa, olhando o céu azul, doida pra cair no mar.

E ontem, depois de uma aula sobre gunas e sobre Deus abençoando tudo e todos, fico acreditando que o sofrimento é opcional, mas que a dor é inevitável. Fácil no texto batido, difícil na consciência mal resolvida.

Parei. Parei mesmo. Parei láááááááááá no fundo, porque chegou o fundo. Como David Frawley havia comentado num desses textos por aí: a sociedade de consumo anda passando dos limites - hoje somos jogados fora, descartados como jornal velho que não tem mais notícia pra dar.

Bem se sou jornal lido, tentarei me reciclar. Mas prefiro mesmo ser como um bom livro de poesia de Mario Quintana, atirado num sebo, sem tempo de espera, sem espaço especial na prateleira.

Apenas um livro, que precisa ser reescrito e lido por ele mesmo.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Maldade



"A maldade não tem por objetivo o sofrimento em si,
mas nosso próprio prazer,
em forma de sentimento de vingança
ou de uma mais forte excitação nervosa." (Nietzsche)


Foto: Meus mano vaha srotamsi estão assim, vazios, tristes. Essa aí de cima, é pra você Rodrigo Cota.

domingo, 1 de novembro de 2009

Do amor - para refletir


Nietzsche:

"O amor e o ódio não são cegos, mas ofuscados pelo fogo que trazem consigo"

Mario Quintana:

"Conhecer o mistério do corpo é talvez mais importante do que conhecer o mistério da alma"


O amor sem o fogo é brincar de descobrir somente os segredos da alma. Mas é o amor "afogado" que detém todo o mistério;

E é exatamente ali naquela via que nos perdemos. E depois no reencontramos mais inteiros.


foto: A placa Wrong Way em San Diego, na Califórnia: hora de dar a volta.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

ainda suspiro



entendo porque não entendo
vislumbro o ar da palavra.

letra por letra desenhada, expressão da tua ação não reagida.


não quero ser mestre nem o estudante que pede tradução;
não quero ser terapeuta; abro mão de ser poeta também.

se no motivo sem motivo de brincar de brigar, me perco.
das linhas que aqui tenho, nas novecentas páginas de conhecimento da vida.

do que importa se a vida fica pausada
se a ponta dos dedos sente falta

se a inspiração cessa e me cobra?

das passadas nas esquinas de cada mesa não te encontrei, nem na passada de uma postura a outra, perco a postura, me enrosco.

na tua tranquilidade me aquieto, com tecla sempre e pra sempre querendo ser escolhida.



foto: Loja de sanduíches na Georgia. "Nunca subs, senão vira uma salad."

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Dos ombros


Ombros caídos:
Para alguns, timidez.
Outros examinam como proteção.

Das vezes que tive os meus entregues aos pés, significou a porta da frente fechada para estranhos mas, a das costas, completamente aberta, entregue, confiante.

O combustível foi amor, mas foi um amor astuto, onde só quem teve olhos de ver, pode perceber.

Ou aqueles que vinham atrás de mim, cuidando dos meus passos, me protegendo, como guarda-corações, ao invés de guarda-costas.

Os que vieram pela frente julgamentos; me viram somente vestida. Vários papéis, porque assim escolheram me enxergar.

O que veio pelas costas, passou a mão nas minhas feridas. Algumas arderam e eu reclamei - mas o toque suave aquietou o sentimento ardido, como cachorro de rua que ficou cansado de ser maltratado e foge quando estendem-lhe a mão.

Meus ombros pra frente são os que tenho há 34 anos: minha porta dos fundos está aberta, por lá fluem sentimentos transparentes, tudo aquilo que se pede, mas quando chega, ops, hora dele dar o fora.

O coração tem todos os lados. Engana-se quem só permite a visão da frente, bom para os que, insatisfeitos, dão a volta na casa querendo encontrar a porta dos fundos.



Foto: Cinco da manhã, aterro do Flamengo, RJ. Para Rodrigo, meu guarda tudo.

sábado, 10 de outubro de 2009

Filme remendado



Eu tenho andado como fita de vídeo locadora de quinta: rebobinada.

E não há nada de errado em ficar retrocedendo o tempo todo, mesmo que não completamente cedendo, mas me envolvendo em julgamentos que são infinitos quanto a minha pessoa.

As janelas da alma bem abertas: as portas bem abertas: ouvidos estalados, se é que podem ficar assim. É uma fluidez de sinais, frases prontas, teorias, shastras, dharsanas, upanishads, versos, aforismos que só eu sei. E tudo se encaixa e tudo faz sentido por apenas alguns minutos. Depois vai sei lá pra onde.

E me enveredo em mais dessas pílulas, alguns textos de Edgar Allan Poe, alguns poemas de Mário Quintana, e a voz de Satya Sai Baba. Nela me encontro, nela suspiro e me abraço.

Engraçado esse estado sem graça. Estado parado, de agonia e silêncio ao mesmo tempo.
Meu namorado some, celular não tem sinais. Meu coração ronca, minha garganta não arranha, mas também não canta mais.

Meus cachorros lá fora me olham e suspiram. Queria ver o que eles conseguem ver.
Os meus olhos saíram para o feriado, unidos aos meus ouvidos estalados, e o que ficou foi um pouco de olheiras, sono, cobrança, insegurança, som desafinado, como cordas arrebentadas de uma sitar.



Foto: Deixando o céu pra trás, em Denver, Colorado 2003.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

A sabedoria da incerteza



O surf está no oceano em mim, que flui e nunca é o mesmo.
O conceito de controle é nulo, o desequilíbrio é constante.
O nível de desenvolvimento e desafio está ali - o desapego.
A meditação em cada série, e no intervalo delas, e na quebra da onda insurfável.

A temperatura, o espaço de liberdade, a atenção na ação.
A mente disponível, a xícara vazia.
Quando eu disperso, caio e o preço é o sofrimento de ir até o fundo, e retornar ao ponto de partida.

Dali, a visão da vinda das minhas provações, uma a uma.
Ondas que trarão o fim do mundo da ilusão, de graça, fluindo na onda da onda.
É o caminho correto para, presente, aceitar o presente fazendo das manobras na minha prancha, um jala namaskar, uma saudação ao oceano.
Oceano de incertezas, de correntezas, de interferencias, vritts.

Mas ali, uno com o pulso da natureza, o tempo do meu samadhi passa rápido no relógio relativo.
Eterno enquanto o sopro da onda dura, impulsionada e carregada nos braços de Deus.


(Para meu filósofo preferido. Om Sagaraya Namah. Foto: Guardinha 2006)

Porque


porque que feriado é vazio e dia de semana tá sempre lotado?
porque que amor não tem poesia e paixão é uma tormenta de noite e de dia?
porque escrevo no vácuo e me esqueço da letra quando estou completa?
porque estar completo pode significar estar sem ninho?
e estar vazio se preencher com textos védicos mil?

porque questiono
porque abandono
porque vivo de máscara, porque dou risada de nada?
porque percebo a perda, porque a coragem se estreita?
porque invento o medo e derreto a possibilidade da real felicidade?

mais fácil um casulo do lado todo fechado do que uma borboleta colorida voando aflita.
tua música não tem dó. ela toca e sai de ré.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Sobre andar de balanço



Eu adorava andar de balanço quando criança.
No parque já chegava procurando o "meu" balanço, sentava lá e dava um impulso bem forte, movimento simples mas que já me colocava no ar.

A subida difícil até alavancar e a decida, o frio na barriga.
E engraçado é que é a melhor parte da brincadeira era exatamente o frio na barriga.

Era a vulnerabilidade.

Na subida, o balanço indo pra trás: meus esforços, minha marcha, meus pés me dando o pulso para subir ao céu. Meu sofrimento.

Quando solta, as pernas iam láaaaaaa encima e cada vez mais e mais e mais alto. Ainda quando possível, segurava firme a corrente com as mãos e jogava a cabeça lá pra trás: quero ver o mundo invertido, quero desafios gostosos, quero a sensação de liberdade.

Eu sei que pra eu alçar vôo é necessário meus pés cravando no chão, é preciso a intensidade da ação, meu corpo uno com o presente, senão tem o risco de eu cair de cara na areia. Eu sei que para me jogar pra trás com o sorriso colado na cara, eu preciso antes do esforço pra me colocar no espaço da velocidade, e antes ainda, quando eu decido sentar lá no balanço, minha confiança em mim mesmo, piloto do meu avião.

Eu confio: vou para o parque diversões da vida para me divertir como criança.
Eu aceito: o desafio de, se cair, limpar o joelhos, tascar um bandaid e ir tentar mais uma vez.
Eu agradeço: quem quer que seja que vai lá atrás pra me dar um empurrãozinho.
Eu entrego: o resultado das minhas ações, o frio no estômago de medo e ao mesmo tempo de excitação, mas principalmente a oportunidade de colocar meu Ser em estado de graça.

E achando muita graça, dou risada, como uma criança.



(para Professor Hermógenes, Aquele que há tempos vem me dando um empurrãozinho.)

Foto e vídeo: No ar com Moikano, brincando de levantar vôo, já que minha idade biológica não me permite entrar nos parquinhos...

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Vivendo o Tao


O passo no caminho do Tao -
Aceitar as coisas como são.
O salto pra dentro do Tao -
Ver graça nelas.


Escrito por Rodrigo Cota



("Your hands closed in my chest and there like two wings they ended their journey."
Pablo Neruda)

Suas mãos fechadas do meu peito são como duas asas que finalmente terminaram a sua jornada.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Requiém para dois anjos



Somos anjos de uma só asa,
e só poderemos voar,
quando abraçados um ao outro.

Nas notas de Pink Floyd:

"We are two lost souls, swimming in a fishbowl...
what have we found? The same old fears...
Wish you were here
" (my Shiva...)

O tao de um yogi poeta - de Rodrigo Cota



O Todo é simples
O pedaço é simplório
O Todo é redondo
O pedaço é redundante

O Todo age reto
E vai direto ao ponto
O pedaço discursa, dá voltas
E não chega a ponto algum.

(foto: O Om na janela do quarto Baleia, Montanha Encantada 2007)

Se - Professor Hermógenes



  • Se, ao final desta existência,
    Alguma ansiedade me restar
    E conseguir me perturbar;
    Se eu me debater aflito
    No conflito, na discórdia…

    Se ainda ocultar verdades
    Para ocultar-me,
    Para ofuscar-me com fantasias por mim criadas…

    Se restar abatimento e revolta
    Pelo que não consegui
    Possuir, fazer, dizer e mesmo ser…

    Se eu retiver um pouco mais
    Do pouco que é necessário
    E persistir indiferente ao grande pranto do mundo…

    Se algum ressentimento,
    Algum ferimento
    Impedir-me do imenso alívio
    Que é o irrestritamente perdoar,

    E, mais ainda,
    Se ainda não souber sinceramente orar
    Por quem me agrediu e injustiçou…

    Se continuar a mediocremente
    Denunciar o cisco no olho do outro
    Sem conseguir vencer a treva e a trave
    Em meu próprio…

    Se seguir protestando
    Reclamando, contestando,
    Exigindo que o mundo mude
    Sem qualquer esforço para mudar eu…

    Se, indigente da incondicional alegria interior,
    Em queixas, ais e lamúrias,
    Persistir e buscar consolo, conforto, simpatia
    Para a minha ainda imperiosa angústia…

    Se, ainda incapaz
    para a beatitude das almas santas,
    precisar dos prazeres medíocres que o mundo vende…

    Se insistir ainda que o mundo silencie
    Para que possa embeber-me de silêncio,
    Sem saber realizá-lo em mim…

    Se minha fortaleza e segurança
    São ainda construídas com os materiais
    Grosseiros e frágeis
    Que o mundo empresta,
    E eu neles ainda acredito…

    Se, imprudente e cegamente,
    Continuar desejando
    Adquirir,
    Multiplicar,
    E reter
    Valores, coisas, pessoas, posições, ideologias,
    Na ânsia de ser feliz…

    Se, ainda presa do grande embuste,
    Insistir e persistir iludido
    Com a importância que me dou…

    Se, ao fim de meus dias,
    Continuar
    Sem escutar, sem entender, sem atender,
    Sem realizar o Cristo, que,
    Dentro de mim,
    Eu Sou,
    Terei me perdido na multidão abortada
    Dos perdulários dos divinos talentos,
    Os talentos que a Vida
    A todos confia,
    E serei um fraco a mais,
    Um traidor da própria vida,
    Da Vida que investe em mim,
    Que de mim espera
    E que se vê frustrada
    Diante de meu fim.

    Se tudo isto acontecer
    Terei parasitado a Vida
    E inutilmente ocupado
    O tempo
    E o espaço
    De Deus.
    Terei meramente sido vencido
    Pelo fim,
    Sem ter atingido a Meta.


(Foto: Borboleta Dani na areia da Pinheira. "Se" é dedicado a Rodrigo Shiva Cota)

sexta-feira, 24 de julho de 2009

FRAGMENTOS - Maiakóvski




1

Me quer ? Não me quer ? As mãos torcidas
os dedos despedaçados um a um extraio
assim tira a sorte enquanto no ar de maio
caem as pétalas das margaridas
Que a tesoura e a navalha revelem as cãs e
que a prata dos anos tinja seu perdão penso
e espero que eu jamais alcance
a impudente idade do bom senso.

2

Passa da uma você deve estar na cama
Você talvez sinta o mesmo no seu quarto
Não tenho pressa
Para que acordar-te
com o relâmpago de mais um telegrama

3

O mar se vai
o mar de sono se esvai
Como se diz: o caso está enterrado
a canoa do amor se quebrou no quotidiano
Estamos quites
Inútil o apanhado
da mútua dor mútua quota de dano




(
Vladimir Maiakóvski é o maior poeta russo moderno. Foto: jogo de sinuca em Memphis, 2004)

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Estamos todos perdidos




Aham sadhaka (Sou o buscador).
Nos perdemos (caos) para que possamos, a cada instante, ser recriados.
É essa mágica que nos mantém caminhando, buscando, desejando, conquistando e se perdendo outra vez.

Mas o interessante da palavra Perder é que ela comporta significados diferentes. Na minha poesia, por exemplo, eu utilizo "perder-se entre uma respiração e outra; perder meus pedaços como num quebra cabeças para que tenha sentido a tua vinda."

Não há nada de mal em estar perdido: que seja numa cidade, que seja entre saldo do banco, que seja perdidamente apaixonado.

Não há nada de mais em perder a trilha, porque quando você vê que está perdido, já está "meio achado", pois ali existe a consciência do seu estado.

Espaço onde entra a esperança do reencontro: nas esquinas, nos cálculos, nos planos, num abraço demorado. Não há nada de mal estar perdido, porque se perder significa também simplicidade, aceitação dos seus limites, entrega, expiração.

E até que você esteja completamente perdido, não terá a esperança de se encontrar por inteiro.

"Until we lose ourselves there is no hope of finding ourselves" Henry Miller



(texto: darsana diário de 17 de julho / foto: Train Ferry em Atlanta)

terça-feira, 14 de julho de 2009

48 horas



Assim nasceram dois dias.

Indiferente com o sol lá fora, suspiro presente no travesseiro.
Coloco tênis ou saio de hawaianas, mostrando para o mundo que tenho pés frios?
Não estou em foto nenhuma, não visito site algum, não me conecto mais.
Indisponível por dizer. Uma boa menina.

Das 48 horas atrás lembro alguma coisa, mais precisamente os temperos que usei no meu arroz. E do sorriso de Jolie. Fora isso, peço desculpas, culpa do software que mandei instalar no meu hd...

Que o inverno se responsabilize de carregar as folhas secas do outono, nesse vento quente, tão indiferente do frio que bate aqui dentro. Segredos foram levados pelo carrinho do jardineiro.

Na voz das cordas acordei cantando; adormeci viajando, seu corpo nu, um japamala que brilha combinando com o suor que escorria da sua testa. Cordas se juntam, se separam, fluindo entre o toque e a despedida, entre acordar e discordar.

Das 48 horas que ficaram nas 72, vazio. Não lembro nem as contas que paguei, esqueci também do abajur ligado por tempo demais.

Primavera deixou inclusive nascer ervas daninhas no canteiro dos meus olhos, lágrimas não bem vindas que deixam meu corpo pois cansaram de esperar o momento de sair por amor.

Saíram porque em 48 horas seriam esquecidas.

Lágrimas de quem acordou antes da hora, e fica com sono, e fica perdida.

sábado, 11 de julho de 2009

Meus dois joelhos



No caminho meus joelhos andam em direções opostas.
Quando amo, eles se distanciam, um para cada lado...
Na dúvida se eu tenho guarda chuva ou não, corro, e aí eles se perdem num ritmo alucinante.

Na minha meditação eles reclamam; nas posturas, aguentam.
Se arrumo as malas e decido ir embora, eles tremem.
Se sento na calçada em frente a sua casa, esperando você chegar, eles não me deixam levantar.

Na hora da fome, eles sabem onde me levar, mas na hora da fome de você, eles resolver doer.

Aquele dia que fechei os olhos quando você quis viver um outro dia lá fora,
meu joelhos se dobraram...

Cuidado com o domingo, ele não está sempre tão disposto:
acordo rouco, água morna pra colar a alma no corpo.

Meus 34 anos com joelhos nada alinhados questionam quando eu ficarei sentadinha, joelhos alinhadinhos, abraçando-os com a cabeça colada neles, esperando você me beijar.

Canção do eu pra eu, que não saio do mesmo lugar.

Bola oito




Amor é indecente
Amor que fala e mente
Amor que me abraça, amor que se arrasta

Amor que joga duro
Amor que só faz luto
Amor que se apaixona
Amor que perde tudo

Amor que te machuca
Amor que toca a nuca
Amor que se deleita
Amor que me estreita

Amor que foge e atira
Amor de armadilha
Amor que lambe os dedos
Amor bem encrenqueiro

Amor que dá em árvore, amor que perde o bus;
Amor que toca e canta, amor que me encanta.

Amor de boca em boca
Amor de peito aberto
Amor de peito nu; amor de ego nu.

Amor que sente falta
Amor que desatina,
Amor que foi embora
Amor que perde a rima.

Amor que se esquece,
amor que terminou.
Amor que acorda a gente,
Amor que nunca amou.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Sou rio transparente e quase parado



Ouvidos:
Pra que servem se são teus olhos que escutam o que falo?

Minhas palavras:
Pra que servem se debato, na verdade, com teu inconsciente?

Meus conselhos:
Se na verdade, você sabe o que deve ser feito?

Minha humildade:
Pra aceitar tua mão?

DVD do Peanuts:
Pra ver Lucy (você) puxando a bola mais uma vez de Charlie Brown (eu)?

Uma calcinha pequenininha:
Se você só enxerga a saruel, enorme, branca?

Meu cheiro:
Se você ainda tem medo do meu abraço?

De que serve teu exagero, teu fogo, uma re_volta?
Minha ida, tua derrota?
Minhas unhas pintadas, meu sorriso irritado porque teu olho cola na minha pele cada vez que você me olha?

A curiosidade de um homem que mesmo cego enxerga tudo o que me fascina;
Que decupa minha vida e sossega as mãos no meu corpo imaginado.

Desestrutura esse medo, rasga os sutras não digeridos, deixa eu pintar no teu presente o que vai ficar marcado no futuro.

Meu corpo de ouro, teu tesouro escondido.

domingo, 5 de julho de 2009

The Poetists Manifesto



'Poetism seeks to turn life into a magnificent entertainment,
an eccentric carnival,
a harlequinade of feeling and imagination,
an intoxicating film track,
a marvellous kaleidoscope.

Its muses are kindly,
gentle and smiling,
its glances are as fascinating and inscrutable as the glance of lovers.
'



Um resumo do Manifesto dos Poetas criado em 1969 em Londres, por Alfred French.

Abre a janela, Shiva


Cansei das portas. Acabei de impor a mim mesma que chega.
Chega de portas fechadas, onde fico batendo e alguém grita lá de dentro que "tem gente", e essa gente tem a chave, mas não vem abrir.

Fico tateando no escuro procurando a tal da chave de luz, mas não encontro. Os mantras têm pego forte em mim: muita vontade de derreter carência com o choro.

Minha carência anda me deixando séria, fechada. Cada vez mais fechada e com menos esperança. Shiva larga pra mim portas fechadas, homens incríveis que querem ser meus amigos. E amigos de todo mundo. E todo mundo com coração assando, querendo ser amigo de todo mundo. P.A. pra cá, P.A. pra lá e você que se contente com isso, pois é o que há de melhor no "mercado".

Não consigo, sou fresca, sigo provinciana nesse quesito. Foda? Só com amor.

Encosto no seu rosto que pede carinho e você foge. Porque então você permite que teus olhos fiquem em mim? Encosto na tua alma e você muda de assunto e prefere ir dormir.

E depois somos nós que temos que acordar...

Estou cansando de estar cansada. Caminho, contra minha vontade, para um lugar onde acabarei desistindo de encontrar amor, de poder compartilhar esse absurdo de sentimentos que pulsam dentro de mim como uma bomba espiritual pronta para explodir.

Pai: fala qual é a missão, seja claro. Eu fico olhando meu sofá, vazio, e minha mente inquieta se pergunta: Porque está vazio esse sofá de três lugares, onde só um está ocupado?

Abre essa janela Shiva, pra ver se eu consigo ver a luz lá fora, já que você insiste em manter as portas fechadas.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Filme que não terminou


E eis que abro o livro e, ao invés de texto, encontro uma foto.
Os mesmos olhos - ainda falta uma tatuagem no braço, quase vi uma atrás daquele copo...

Imaginação minha, que já cria pedaços de você perdidos por aí como peças de um quebra cabeças de uma história de cinema, como presente de criança pequena, que quer abrir pacote com pressa e... tudo se perde.

Tuas cores rebobinam esse filme que ficou guardado em algum lugar aqui dentro.
Não lembro. Tento, mas não lembro.

Não sei porque parou, nem porque não foi, não sei quem ficou.
Sem.

Sem uma despedida, quem ficou sem resposta, se houve uma perdida ou um esquecido no meio do caminho. Se foi uma menina que dançou ou um homem que ficou sem seus mais profanos sonhos...

Existe sempre uma outra história, um recomeço para um fim, que talvez nem peça recomeço, ou adoeço e fecho os olhos para refletir.

Tudo aquilo que passa na minha cabeça como um filme que pede continuação.

Mas talvez eu não dure mais um dia, talvez eu seja tão perecível quanto essa poesia.




foto: céu de Atlanta, lanterninha cor de rosa na nuvenzinha.)

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Quando o ego adormece



Eu abro o meu caminho

Através das minhas mãos


Minhas palavras traduzem

O que passa na minha cabeça


No meu corpo tatuo o movimento


Inspiro a entrega, acendo uma luz!


Meus braços longos abraçam a calma


Enquanto que meus olhos escondem aquilo que leio,


mas não quero ouvir.


Eu leio com o toque

E você é onde escrevo


As linhas saem tortas


Contornos do teu corpo

Eu me perco...


O amor se faz, não se acha

Eu já construi 3 lágrimas:

A da distância, a do tempo

E da tua língua me derretendo...

Meu corpo seu,

Teu corpo, eu.


Me rendo.


(foto: Braço do co-autor desse poema.)

quinta-feira, 25 de junho de 2009


Nu oposto.
Do contrário, vida jogada no muro como estencil.
Porque tem buracos.

Uns em forma de coração, outros, formas de flores e outros ainda.
Sei não.




amoR é Roma.

De Romeu e Julieta.
De tanto choro.

De história inventada.
Ou transferida para versos velhos?

"But passion lends them power, time means, to meet, Tempering extremities with extreme sweet."

Amor que se define nos três pontinhos...
Que se limita entre os dois extremos que nunca terminam.
Coloridos ou não.

O que é Yoga? - Sri Brahmananda Saraswati


Aquele que utiliza o corpo e mente de forma apropriada no tempo e espaço correto, com o objetivo único de fazer o bem ao outro, é um Yogi e está pondo em prática o Yoga.
Indiferentemente se ele ou ela têm consciência disso.

Não há como escolher usar ou não usar a mente. Só existe a possibilidade de escolha entre utilizar devidamente ou não, entre usar com intuito egóico, ou não.

Aquele que usa sua mente para reunir o coração da humanidade, não somente para unir coração do ocidente e oriente, mas experimentar essa união com toda a existência - é um yogi.

Yoga é o jeito holístico da vida, onde união e harmonia do corpo, mente e a alma ou consciência "Eu Sou", são fundamentais. Yoga possui muitas ramificações, incluindo formas e disciplinas espirituais, mentais e físicas. Na verdade, cada atividade na vida e yoga quando realizada de forma natural, de maneira harmoniosa, com total atenção, com o objetivo de equilibrar e unir o corpo, mente e espírito.

Mas qual seria a diferença entre ciência e yoga? Ciência lida com a realidade objetiva enquanto que yoga começa com uma realidade subjetiva até chegar na realidade transcendental. Ciência está envolvida com todos os tipos de descobertas e invenções enquanto que o yoga está interessada simplesmente na descoberta do descobridor, que significa a descoberta do estado alerta. Então você conhece todo o universo, objetivo e subjetivo, passado, presente e futuro, porque você está além do espaço e do tempo.

Hoje nossas velhas formas de viver estão morrendo, e a humanidade está indo em busca de uma nova verdade. temos a escolha entre a morte e a vida. Se preferimos morrer, aí então não precisamos fazer nada. Mas se optamos por viver, aí teremos a tarefa de modificar nossos corações, passando da desunião e desarmonia para a união e a harmonia.

Essa transformação é o trabalho do Yoga.


tradução: Miila Derzett, maio de 2008.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Uma realidade estranha


Riscos quase que transparentes de boas intenções. Eu disse "quase", porque no momento que as reconheço viram raciocínio lógico.

Nada de transplantes de teorias: ou sei o significado da "nuvem", ou o approach em direção as respostas viram pó que até mesmo os deuses rejeitam.

Fumaça sem incêndio no sono dos tantos que parecem tão acordados...

E aqueles ensaios de riscos finos seguem driblando o que quero traduzir: conhecimento que sai do campo do conhecimento e se revelam simplicidade. Auforismos que nada: todos viram adubo de livro de auto ajuda de Paulo Galo.

Se o colega ao lado ainda chora (depois de cantar Rauzito e ler as 17 mil leis espirituais do sucesso) por causa de um cheque que não teve fundo, de que serve a reflexão?

Pois tomo meu banho de sol sem protetor.
Prefiro me proteger dos mosquitos gigantes,
os que adoram sangue,
desse que fluiu das minhas mãos...




(foto: o outro ônibus que veio atrás não ia pra Floripa, ia pra Lapa.)

Bilhete



Sonhei que alguém deixava uma nota no meu travesseiro.
E nessa nota, estava escrito assim:

"Não substitua."

Tudo ao contrário




O que você fala pra mim, você sente;
Sobre meus sentimentos, na verdade, os seus que são assim - superficiais.

Aquilo que te dá medo, você na realidade, ama.
Daquilo que você foge, é o que você mais quer.

I cracked your game, too easy for me.
Nothing scares me than a weak man.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Lokásana em New York


If you can make it there
You can make it anywhere...

It is up to you,
New York, New York.


(foto em Ny, Times Square, meu sirsásana amado)

quarta-feira, 17 de junho de 2009

sociedade dos poetas vivos



Mãos do meu mestre: confia, entrega, aceita e agradece. (Fabrícia Freitas)

A morte é um ritual de passagem. É a única certeza que temos em comum com todos os que vivem, independente da cultura, religião, origem. Não tenho uma explicação para o significado da morte, aliás, acho que a morte é o grande mistério da humanidade. Acho que o não-saber que provoca no homem tamanha tristeza e vazio. (Marlise Brenol)

“Como dois pássaros dourados pousados no mesmo galho, intimamente amigos, o ego e a Consciência habitam o mesmo corpo. O primeiro ingere os frutos doces e azedos da árvore da vida; o segundo tudo vê, em seu distanciamento.”
Rig Veda, I:164.20 (Mundaka Upanishad).
(Tati Rangel)

Lembre-se que nunca estamos sozinhos ou sem ajuda, pois a mesma força que guia as estrelas nos guia também. (Lu Lobo)

No Tarot - um estudo milenar respeitado por alguns, rejeitado por outros - a carta da Morte significa transformação. Estudos científicos, dizem que " Na Natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma" (Lavoisier). (Kyra Dombrowski)

...talvez as crianças saibam melhor. Elas vivem intensamente um dia de cada vez e quando vão dormir é como se morressem; quando acordam, é como se abrissem os olhos pela primeira vez. (Felipe Mônaco)

    Ausência

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim

Carlos Drummond de Andrade

(Alessandra Geraldi
...a morte não é um fim em si, mas o fim de uma passagem. A alma continua sua caminhada em busca da perfeição.... (Antônio Rodriguez Papito)

Tudo segue a Divina Ordem. A gente é que não consegue a visão panorâmica desse Tudo. (Stela Simone)

Estamos só de passagem por aqui e existem sempre duas escolhas a fazer. Pelo bem ou pelo mal. Ser feliz ou ser triste. Ser fraco ou ser forte. Ser rico ou ser pobre ... Está tudo dentro de nós. Sendo o amor a sua religião sinta-o em tudo ! Na janela que abres, no beijo que dás na sua filha, na bronca que dás no porteiro que vacila, no ar que respiras, no olhar que tens para o próximo. (Gabi Kaschner)



(dársanas que recebi dia 12 de junho, dia que Dani foi tocar rock and roll no céu. Namastê Dani)

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Para refletir




O que não consigo possuir, destruo.
...
(foto: do meu primo Dany Petry, Evory sem sentido, Guarda do Embaú)

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Quantas milhas?



Exactly how much will we have to burn, before we will look to the past and learn?

Nos escombros da alma, o corpo pergunta: onde está minha agenda telefônica?
Nos desejos do corpo a mente recrimina e disfarça, mantendo a sala do coração bem escura.
Nos afetos, tempo pra televisão; na imagem retangular, falta tempo pra reflexão.

Fico a um passo de levantar vôo - o tempo me segura e me mantém segura.
O tempo bom me faz discernir verdade de neurose. Suspiro, sinal que meus esforços não são nuvem carregada que faz barulho, mas não molha.

Me liberto da exaustão de tanta frescura, de tanta falta do que fazer. De tanta raiva, de quê?
Se liberto aqueles que vem e vão, bom para quem possui a chave e abre a gaiola dos loucos.
Te liberto dessa incondicional travessia entre a sala que possui o espelho e a ante sala que te mantém iludido. Fique onde quiser, mas aviso que corredor está prestes a desmoronar e você irá perder o chão.

O tempo muda o tempo todo: meu tempo muda de relógio para relógio, de cidade, de punho.
As horas dependem de nós: eu acordo daqui a pouco, às vezes fico dormindo por semanas;
Outros acordam quando quiserem, não preciso ser avisada. nem me importar.
E se eu os ver dormindo, ainda vou até lá e os cubro com uma manta.

Sim, ego. Ego adora bondade.
Ego adora carinho, adora perdoar e adora se dobrar praquilo que ensina ele a crescer.
Meu ego que na verdade é minha consciência que pagou aluguel eterno dessa fantasia de "ego" pra ninguém descobrir que ela o expulsou desse paraíso aqui.

Mas a questão pra refletir aqui é: quanto ainda temos que andar, quanto ainda temos que ralar pra olhar pra trás e aprender de vez com nosso erros, olhar pro lado e aprender com o erro dos outros, olhar pro futuro e se permitir sair da roda do sofrimento?

Você merece ser feliz agora.


Air tapping


Passou da hora do recreio e você nem reparou.
Sentada no muro baixo pude contemplar teu silêncio, sorriso, olho que foge do meu.

Coincidências me embalaram, coisas iguais me fizeram lembrar quem sou; as diferentes, sempre me causaram muita curiosidade. O bom da imaginação é que ela é infinita, a realidade chata e condensada. E cheia de ponteiros.

Gostaria que você entendesse quem é você do lado de cá da tela do computador: o homem que quero pra mim. E essa merda de "O segredo" não está funcionando mesmo. O segredo deve ser que não funciona.

Com certeza e sem explicação como qualquer outra coisa na vida que ainda não entendemos. Não pensa que não busquei aconselhamento com quem entende do assunto, como Jung que me falou que nas maiores diferenças eu encontraria a harmonia. Me encaminhou para Freud, que disse que eu deveria refletir na minha infância. Platão tentou essa de amor platônico, mas achei tudo meio poeiril. Saí pela porta dos fundos e lá estava Shakespeare, sentado na calçada. Foi então que lembrei que Romeu e Julieta se ferraram porque suas yogas não se entendiam. Santa besteira, isso é que eu acho de Romeu e Julieta, que ficaram tomando veneninho e se ferraram.

Talvez nos Sutras e na Gita? Falarei com Glória. Porque não dá pra entender, já cansei disso, não encontro nada. Eu sinto falta, sinto saudade. Muita saudade, mesmo que de quase nada, que já é o tudo que sinto saudade. Pronto.

Meus amigos apostam no tempo, dizem que é carência e ilusão; meus sonhos me alimentam com imagens boas... muito boas. Hmmmm. Minha mente quer estímulos visuais e auditivos pra "mudar de assunto". Meu corpo sente que não tem o seu e adoece...

Sua frieza não é suficiente pra me dizer algo ou não. Nem seus ataques repentinos de mau humor. Acho tudo engraçado, se quer saber. E charmoso. Seu medo de dizer algo e parecer outra coisa. Eu pessoalmente sou muito burra no contexto "entre linhas". Ou é ou não é. Isso funciona mais pra mim, mesmo euzinha que adoro metaforismos...

Mas o mais engraçado de tudo, é que você me tem nas minhas palavras, mas não me possui de nenhuma outra maneira. Nem nas palavras.

Essa liberdade que tenho não troco por nada, não gosto de ter dono, nunca ninguém conseguiu segurar meus braços por muito tempo. Ficam air tapping desesperadamente.

Mas você, você eu quero que me segure pelos braços, nem que seja pra me dizer: eu não sinto absolutamente nada por você.

Você consegue fazer isso?



(ipod: Air Tap, Erik Mongrain, foto: Oliver Stone)

sábado, 6 de junho de 2009

Teimosia é


Substantivo

tei.mo.siafeminino

  1. qualidade de quem é teimoso; teima persistente; obstinação:
  2. perseverança, pertinácia, tenacidade:
(Wikipedia)


Numa análise mais profunda que fizemos com eles próprios, tendo como base os exemplos de vida concreta de cada um, fizemos com que eles percebessem que a persistência – que os fez vencedores – foi muito mais com o método de trabalho, com a força da vontade, com a busca de caminhos alternativos, do que uma teimosia em repetir, sem parar, a mesma coisa, com os mesmos erros, com as mesmas pessoas até dar certo. Eles não desistiram frente aos obstáculos, mas buscaram alternativas válidas, pessoas mais experientes, mercados mais disponíveis, formas mais simples – até que atingiram seus objetivos.

(Professor Luiz Marins, antropólogo.)



Teimosia = Qualidade, ação ou procedimento de teimoso;
"teimoso = aquele que teima, obstinado, petinaz e insistente";

(dicionário Aurélio)



Os homens são animais muito estranhos: uma mistura do nervosismo de um cavalo, da teimosia de uma mula e da malícia de um camelo.
(Alsous Huxley)



O mal é como as mulas: teimoso e estéril.
(Victor Hugo)



Todos os sentimentos cansam e "desistem", menos o amor. Sentimento algum é tão teimoso! Até quando passa, não acaba. Posto de lado, jamais se conforma. Mesmo se afogando na impossibilidade, não morre.
(autor desconhecido)





(foto: pássaros nos fios de energia em Santa Teresa)

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Nu oposto


Nu oposto.
Do contrário, vida jogada no muro como
estencil.
Porque tem buracos.

Uns em forma de coração, outros, formas de flores e outros ainda.
Sei não.

Amor é Roma.
De Romeu e Julieta.
De tanto choro.

De história inventada.
Ou transferida para versos velhos?

"But passion lends them power, time means, to meet, Tempering extremities with extreme sweet."

Amor que se define nos três pontinhos...
Que se limita entre os dois extremos que nunca terminam.
Coloridos ou não.

Se



Pelas bordas
romance rosa.
Pelas notas,
blues.

Na mistura, aceitação de cores enrugadas. Lenços úmidos.

Minhas mãos que choram quando precisam de papel e caneta.
Mãos infinitas como meus sonhos.

Nãos.

Um universo chegando mais perto de tantos outros.
Luz do sol que reflete amor no corpo de uma estrela.

Se doou, se abriu, entregou sua textura tão macia...
O calor? ficou espalhado no meu centro.
O amor? ficou intocado nas bordas.

Se pele fosse tocada, notas;
Se lábios fossem abertos, propostas;
Se suspiro fosse baixinho, gemidos.

Se tudo um dia fosse.
E será.




(foto: pôr do sol em Ft Myers)



quarta-feira, 3 de junho de 2009

Em estado de Vishnu



Outro dia eu conversava com minha Maha Mitra Joanna Joaninha.
Nossos argumentos pairavam entre ir pra "balada" ou tocar um Ben Harper no DVD, e se deveríamos ficar entre minhas tosses que me mantém expirando mais do que inspirando, e uma Bohemia geladinha.

Ficamos bem com o Ben. E eu de chá de hortelã.

"Estamos ficando velhas amiga". Ou novas diria eu, que translitero tudo do old school of thoughts to the new age of feeling. Translitero?

Meu ombudsman pediu as contas, fico perdida no meu português de quem não tem tempo nem paciência de corrigir, e precisa escrever antes que o pensamento desapegue. Desculpe, estou usando óculos, o que está irritando Miila Derzett profundamente. Não gosto de nada que tenha que "de agora em diante estar comigo o tempo todo". Fora Dharminha Dharminha pode.

Bem, falávamos de rewarding the tape, de ficar nova, de, hmmm, pensar um pouquinho mais no que está por detrás (porque deve haver um sentido! Não é possível! Vocês não concordam??? Shiva tomou conta gerallll ) disso tudo. Essa zoeira de coletividade que virou uma festa trance sem música. É só parar e ficar olhando pessoas caminhando na rua. Vai dar curto circuito geral...

É difícil pra mim todo mundo, ser poeta, escrever com a alma, e quando estou triste, ter que escrever textos como o anterior, chamado de "Palavras", uma coisa bacaninha, misteriosa, porém sem ritmo, sem sentimento, de alguém que foi numa aula de Gita (!!!) e volta com entendimento teórico da coisa. Total estado de Shiva mais uma vez. Energia masculina, frio em excesso. Precisamos de Shakti! Precisamos esquentar, sair do morninho, precisamos se arriscar mais, da entrega. Precisamos de verdade, da honestidade, doçura, tipo melzinho do Balarama!

Eu quero ser um pouco de vocês, quero escrever pra vocês se lerem, se identificarem sim, não com meus erros de português, por favor, mas mergulhando através do espelho dessas palavras, buscando a existência de um sentido entre cada uma delas também, onde permaneceu meu silêncio entupido de pensamentos mais profundos ainda, e que por uma razão ou outra, não tive coragem de escrever.

Eu hoje sigo firme, num resfriado que dura mais de três semanas, com contas vencendo, com caixa de som da tv estourada (um pavor para uma gandharva like me) , enfim. É...

Professor de yoga nunca foi sinônimo de ser celestial, daquela imagem tudo muito zen Dalai Lama, lembrem disso. Nas minhas tempestades encontro uma árvore onde sempre chamarei vocês para que sigamos caminhando juntos faça chuva ou faça sol...

Falando em sol, parece que finalmente Shiva resolve dar espaço a Vishnu, que vai dar uma varrida geral aqui em casa, deletar a lixeira sem piedade, largar um balde de água fria na minha cabeça, tipo "acorda pra faxina Alice, já é tarde".

Alice acordou, vai tomar remédios pra sinusite passar, não tem outro jeito. Vai comer frutinhas no café da manhã. Vai pegar solzinho na rua junto com a senhorinhas em Copacabana.

Quero essa sensação de vazio preenchido com des-ilusões, que começo a sentir agora. I am only happy in the sun, oh yes I am. Lya Luft disse essa manhã "o mesmo que te derruba irá te amadurecer". Venha Vishnu, a porta está aberta.

Sente-se e fique à vontade.




(na tv com a caixa estourada, rola Ben "I love the way you think, but I hate the way you act)

terça-feira, 2 de junho de 2009

Palavras


Palavra que transmite o conhecimento de alguma coisa.
O conceito de uma pessoa viaja de uma pessoa para outra.

Apreciação, um sentimento.

Ekasharam, uma sílaba - Om. Dois esforços para fazer o som ir e voltar.

Corpos: físico, sutil e causal.
Estou acordada, sonhando e dormindo e tenho as três qualidades.

O silêncio já estava lá o tempo todo.
Parece que ele já desapareceu, mas está antes, depois, tudo permeia.

Está em tudo, sustenta o Om.

O silêncio é um único esforço.


(foto: penumbra do meu silêncio)

domingo, 31 de maio de 2009

Meu time perdeu o jogo



É difícil a tarefa da retirada...
Torcida indo embora olhando pra baixo, time levou gol.
É dor ruim, chata, campo coberto de pontos de interrogação.
Na verdade não tinha nem campo, eu não tive chão.

Contradições, metaforismos.
O não encontro dos olhos e somente dos bits.

Difícil não ter chance de provar a teoria, de sair do poema escrito e chegar no tocado.

Virei Alice no país das maravilhas, entalada entre a porta da raiva e da compaixão,
entre vias que atropelaram meus sonhos e, com uma pedrada, me acordaram da realidade também.

Em São Conrado o tempo é bom, mas não deu pra voar.
Asas ficaram fechadas pra mim.
Fiz beicinho.

Terei que me contentar com a frieza que invade meu coração, ele que quer ser abandonado numa esquina qualquer de Copacabana.
Pra ser roubado.

Hoje pequenininha, suspirando o tempo todo, me conformo com a companhia das formigas. Batemos um papo sobre um ser inconformado,
sobre eu ser a pessoa certa e ver a outra certa escolher a errada e ir embora de sapatos...

Bem, formigas ficaram me olhando, quando uma resolveu sair da fila, largar sua folhinha e dizer:

"Trabalhe muito. Faça dessa energia que dedicastes intensamente ao amor, ao trabalho. E depois, a cada final de dia se recolha na sua caverninha e durma bem."

Sentei e fiquei observando aquele viver pelo dharma, sem questionar nada, aquele ritmo todo, aquela comunicação sem palavras e tampouco desentendimentos. Formiguinhas total na vibe da Gita.

Formigas todas certas umas com as outras. As erradas deviam ser as decapitadas pelo caminho, obstáculos da qual elas desviavam. Serei eu a errada, a próxima a ter a cabeça cortada?

Opa, borboleta amarela voa na minha volta.
Sinal que vento virou.
Hora de caminhar pra mais tarde abrir as asas e ...

Trabalhar.


(no ipod Satriani "Always with me, always with you". A formiguinha é você meu mano, que sempre me junta quando estou triste e cansada, e me traz de volta pro caminho)


Enviado de meu iPod

quarta-feira, 27 de maio de 2009

A pessoa certa - para Luis Fernando Veríssimo


Se eu ficar pensando bem, olhos bem abertos e bem fechados ao mesmo tempo, e me escorar em histórias da carochinha, eu construo a pessoa errada, porque é meu ego quem escolhe as peças e ele gosta de tudo o que o alimenta, e não o que alimenta a alma.

E amantes jogam com a alma; outros bronzeiam as dores, com o ego. Amantes são as pessoas certas. Só isso.

A pessoa errada não vai entender o que você fala, Luis. Com pessoas erradas muitas pessoas sofreram de amor no passado: talvez meus avós, seus avós. Tantas estórias onde o ego venceu e o coração ficou nas histórias de ficção. Tantos filmes....

Será que pessoas certas estão fadadas a viver eternamente dentro de pinturas dos artistas que ficaram com a pessoa errada? Ou tocadas nas composições daqueles que não aguentaram o estrago no meio do peito e se suicidaram? Onde estava a pessoa certa?

A pessoa certa estava tentando fazer dar certo com uma outra pessoa. Com a pessoa errada!

Na pessoa errada vemos um espaço para colocar nossos soldadinhos em pé e brincar de lutinha de amor, ver quem ganha, quem cai, quem levanta, quem lava a louça, não é mesmo? Desafio! A vida é tão tranquila, quem sabe guerrinha na hora que mais preciso de paz?

Entre pessoas erradas, um fala, o outro não escuta. E depois da paixão ter desistido e ter dado no pé, ficam muitas emoções sim, você tem razão! Mas ficam muitas emoções ruins, yang demais Luis, desacordos, cansaço, desamor. Desamor pela minha pessoa, porque como não consigo entrar no compasso da pessoa errada, que pensa e age e tudo mais diferente de mim, eu me recolho. E por amor ao outro, começo a duvidar da minha sanidade mental e procuro a terapia...

E aí me transformei na pessoa errada pra mim mesma, enquanto que a única coisa que eu queria era SER a certa...

Pessoas erradas voam longe demais Luis... Algumas não são nem pessoas.

Agora, não pense bem: sinta. Entre as pessoas certas fica o olhar que diz tudo, o silêncio que tudo sente, o respeito, porque eu sei o que o outro precisa quando eu também preciso do mesmo. A pessoa certa erra pra acertar, corre pra caminhar do teu lado, sorri pra te fazer chorar de rir.

A pessoa certa te dá tempo pra crescer, te apoia de todos os lados, e dá espaço pra você fazer o mesmo por ela. Entre pessoas certas, existe uma linguagem que a sociedade desconhece: a da entrega.

Minha geração cansou da pessoa errada, de misturar carência com pressão familiar e espremer amor disso tudo. Com o tempo, aprendemos a filosofar a vida, questionar a existência, olhar e ver o pôr do sol, percebendo no final disso tudo que o vazio aqui, carrega a busca errada, a falta de coragem de ir ali e dizer Eu te amo, pra pessoa certa.

Foram os sentimentos distorcidos que traíram o mundo: homens e mulheres que viveram mais em cima de uma cama chorando do que fazendo amor, e que cada vez que queriam algo diziam "Não. É errado", transformando aquela insatisfação em guerra.

Eu quero sim a pessoa certa, pra não dar trabalho. Trabalho pra quê? Quero amorzinho, cheirinho, risadas, besteiras, sanduíche ou pratos finos, hawaianas ou sapato de bico. Não me interessa se vier de carro ou a pé. Aliás, quero que a pessoa certa venha despida de tudo, com seus olhos brilhando quando me vê... Cansei de olhar pro céu e só enxergar nuvens...

Lembra Luis, da amada que ficou pra atrás, talvez lá no tempo do Roosevelt?
Ou estás casado com ela, com pessoa certa?




p.s. Leia abaixo o texto de L. F. Veríssimo, "A pessoa Errada".

(fotografia de Chantal Shantih James. Eu, entregue.)