POESIA & INSIGHTS
"A poesia não é minha. É como o vento, que só passa através de mim." Chico Xavier

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Espiando


Estava aqui pensando
como é fácil pensar em nada
porque quanto mais esforço eu faço
para ir além do que tenho no momento
sempre me arrebento...

Então melhor deixar maré levar
ficar boiando
remando pouquinho
sentido a correnteza massagear minhas costas...

E beijando meus pés
tenho o sol me espiando.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

NIGHTMARES



São as marés do escuro - citta vritts?

Que por causa da imensidão dos medos quebram na arrebentação da minha inconsciência, afogando minha vontade de ter uma boa noite de sono?

O que é essencial?



Sabe da real?

NADA é essencial.
O que é, ou seria, nem pede atenção.

Simplesmente É.

"Nem o verbo? Conjecturas" - pergunta Tatiana Bandeira.

Somente o verbo - É
Tat Tvam Asi

Sem, ao menos, o adjetivo masculino singular de sombra, o tal do "essencial"...

Nesse caso, gosto mais do NADA,
que lembra um prato cheio de teoria mas completamente vazio de existência...

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

...



"Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo Tempo Tempo Tempo
Quando o tempo for propício
Tempo Tempo Tempo Tempo"

Marcos Breda


foto: Praia da Pinheira junho 2009.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

O LAÇO E O ABRAÇO



Meu Deus! Como é engraçado!

Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço... uma fita dando voltas.
Enrosca-se, mas não se embola, vira, revira, circula e pronto: está dado o laço.
É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de
braço. É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido,
em qualquer coisa onde o faço.
E quando puxo uma ponta, o que é que acontece? Vai escorregando...
devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço.
Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido.
E, na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço.
Ah! Então, é assim o amor, a amizade.
Tudo que é sentimento. Como um pedaço de fita.
Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer hora,
deixando livre as duas bandas do laço. Por isso é que se diz: laço
afetivo, laço de amizade.
E quando alguém briga, então se diz: romperam-se os laços.
E saem as duas partes, igual meus pedaços de fita, sem perder nenhum
pedaço.
Então o amor e a amizade são isso...
Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam.
Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço!

Mário Quintana

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Canção de ninar

Quero fechar os olhos hoje,
do sono que tá cansando de bater.

E sumir entre meus sonhos
bem abstratos de preferência
bem confusos
para que eu não os entenda
para que eu os perca
não compartilhe.

Quero amanhã entrar num avião
ir embora deixando pra trás meu ego
meus erros
meu medo
minha saudade.

Passado escorre na cara
lágrima falha
tem medo de cair?

Você foi parar num nada
fechei os ouvidos com medo de ouvir,
tapei os olhos com medo de ver
mas aqui dentro tá meio escuro...

Pai, pode acender a luz?
E canta pra mim:
- "Bebê, eu amo você."

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

feliz agora?, pergunto para meu ego

Ops
I did it again.
química do medo foi mais forte que a do chocolate que comi essa manhã.

Não consigo, dói a espera, a espera é difícil
(não consigo esperar cantando, como sugeriria Jorge Ben)

Me enfiei numa sala de cinema. Foi o que deu para organizar depois do suco de abacaxi e coco.
Eu abri as duas mãos para te deixar ir...

Acho que foi por isso que vim pedalando na chuva, rain drops confuzing themselves with some tears?

Tá frio aqui.
Bicicleta leve demais. Faltou abraço.

Assim que é o desapego? Essa coisa sem graça, sem (com)paixão, sem amor, sem compromisso?
Assim que devemos praticar, considerando a fuga, o medo da entrega, justificando tudo isso como maturidade espiritual?

Pois estou me sentido burra.
Imatura, covarde e burra.

I am sad.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

valsa que não sabemos dançar?

o dedo na tecla do desejo
de enviar um torpedo
não deu tempo

de alcançar a vontade que foi mais sábia:
mandou eu esperar.

olhei pra lua cheia lá fora e mandei ela beijar tua boca.
"vai lá, eu deixo. deixa um beijo..."

qualquer música que toca vira melodia pra essa história, novela, poesia, coisas de outra vida...
já me esqueci de te esquecer porque... a tua estrada corre pro meu mar...

mas vem o tal respeito, tal ego inteiro se enchendo de razão,
desconstruindo a pobre da minha emoção...
que sai arredia, arisca, tentando entender o que colou teu corpo inteiro na minha alma
enquanto meu corpo suspirou tanto que virou vento.

que os dois aprendam a dançar essa nossa música,
sem regras,
tempo divino sem explicação.

eu acho que sinto amor por você...

pois a saudade já abana tanto que impossível aquietar minha mão senão no teu rosto.

num dia, que seja eterno, que seja logo, longo
mas que quanto mais demora
mas perto está de chegar.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

domingo, 5 de setembro de 2010

A volta do poeta


Sono que me arrasta pra cama.
Rima que me arrasta pra piscina
feito teclado
com pêlo de gato.

Teve uma vez que era chuva - dizia o moço da tv.
Houve um verão que derramou dois deles:
um tinha canto de sabiá
outro embalo de reggae.

Escorregue, mas não se entregue,
feito árvore que segue de pé,
tanto faz se foi tornado,
tempestade ou um pé d'água.

Há de dar pé.
O lago vazio, a poça da chuva, o canto do rio.
Pra quem não riu,
chuva não escorreu na cara.

Conta outra piada?
Faz parte da corrida o peito gritado,
o choro estancado,
a dor lá na sola,
"mente, não amola!"

Fogão que era foguinho
de tão pequenininho,
esfarelou-se num "não!"

There is no sun
There is no one.


Fala o sem graça do meu ego.

Coração diz que "não"
ainda tem muito o que falar
o moço do tempo da TV.

(na segunda leitura, houve um suspiro.)



foto: por do sol em Santa Teresa/RJ

sábado, 28 de agosto de 2010

E se?


E se não existisse nem eu nem tu?

Ou se amanhã você acordasse e eu não fosse mais capaz de olhar dentro de você, te reconhecer mais do que você mesmo tem feito por você?

E se você acordasse amanhã aí e eu daqui não fosse mais inquilina? Hein?

E se esse céu nublado não fosse mais parte de ti, nem de mim, e que no meu céu fosse sempre ensolarado, você suportaria?

Ainda assim resistiria?

Me trocaria?

Quando você tem que lidar com o vácuo



Não tem soco que machuque, porque não tem corpo no vácuo.

O vácuo não é ninguém a não ser o grito que ficou perdido, a vontade que não se satisfez.
O parênteses na agenda que não ganhou um "ok". Porque não foi ok, porque não aconteceu.

E não há corpo que cessaria minha vontade de gritar.
Eu tenho uma força incrível dentro do peito e às vezes transborda em dor.

O soco no vácuo é nada, porque não há nada ali, a não ser uma imensidão de respostas não dadas.
De imagens feitas de carência, de pessoa que não existe, de carinho que virou as costas e saiu rindo...

Sugiro escutar metálica e conversar com o travesseiro. Único jeito de sarar a raiva.

Mais raiva porque não quero sentir raiva. Quero nada.

Quero você.

Um nada, um vácuo perdido entre os sonhos e desencontros dessa vida vazia.

Vazio, o silêncio.

Tudo.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

DIA 14 - Fiquei rodando igual gato

Pratiquei.
Dei risadas com minha mitra. A gente aplaude juntas, a gente ri, reclama, chora e depois ri de novo.

Faxinei tooooooodo meu apartamento.
Malas quase fechadas. Quase porque não estou conseguindo fechá-las.

Shiva está soninho. E eu também.

Dias melhores virão. Conto com você Dona Pia.

domingo, 18 de julho de 2010

DIA 13 - Pergunto ou faz parte não perguntar?



Pergunto.
Deixo no silêncio o ponto de interrogação:

O silêncio

Dele vem TUDO
o desprendimento, o desapego, a entrega, a certeza?


Ou vem o NADA,
a fuga, a desistência, o fim?

sábado, 17 de julho de 2010

DIA 12 - Dormir de bruços é ruim demais


Há tempos não dormia tanto.
Fui acordada às 11h30 da manhã. Espreguicei grande, abri os braços.
Me olhando no espelho percebi os olhos inchados.
"Olhos de saúde", diria vovó.

As costas ardem como se eu tivesse sido arranhada diversas vezes.
Checando no espelho me assusto quando percebo que da noite pro dia eu criei asas!

(sorriso se abriu enormemente no espelho como há meses não fazia!)

Agora posso pular dos telhados e sobrevoar minha mente ansiosa?
Agora posso sair do carro no meio do trânsito e competir espaço no ar com as gaivotas?
Posso sair daqui e ir aí espiar teu paradeiro?

Posso mergulhar na água, surfar a onda sem precisar me molhar?
Posso voar na frente do sol quando ele nasce e, quieta na areia, baixar minhas asas e observá-lo se pondo?

Vou treinar.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

DIA 11 - Lágrimas de chuva


Não é chuva não mundo: é papai do céu que está chorando.
Anda meio triste com a gente, não sabemos brincar.
Arrancamos todas as flores e quebramos todos os galhos.
Cuspimos a comida farta, brigamos uns com os outros e na hora do amor, a moda é mentir e fazer teatrinho.
Por isso que não é chuva. É choro.
...

Dia blã.
Acordei e fui praticar na academia do Professor Hermógenes.
Amo centro da cidade, o chamado "Saara". Em 30 metros quadrados achei meias de lã, carregador para ipod, cartão para câmera fotográfica e minha mochila tão sonhada.

Depois disso com algumas borboletas invadindo meu estômago, fui para o King 77.
Minha tat está pronta, depois de mãos geladas, suor escorrendo, uns ais e ui ui uis.

Finalmente ganhei minhas asas.
Meu irmão diz que mami e papi não vão gostar.

Mamis e papais não gostam de quase nada que gostamos.
E vice versa.
E tudo bem.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

DIA 10 - Insight anestesiado



Resumo a vida num ato de respiração:


Na inspiração tudo se cria.
Na retenção o silêncio.
Na exalação, tudo tem seu fim.

O que existe entre um e outro movimento se chama ignorância.

Suor
Shiva
Silêncio.

Ou o ato de fazer amor.

...

Tive esse insight enquanto visitava as o dentista. No telão a frente, assisti 1 Giant Leap, meu filme preferido. Entre uma cochilada e outra, levei o foco para minha respiração, para esquecer a dor.

Não senti dor.
Dor_mi entre um fá um sol e um si.

A trilha do filme é sensacional.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

DIA 9 - Expirando



"Watch out for the wolves, they are marching to the mountain again.
May be one or two.
Maybe three of them.

Watch out."

Say my guides.

"The endurance is to stay quite. No move, no dancing, no singing around the fire.
Just stay silent.

No sheets, no promisses, no openning doors.
Just observe.

The good one will be doing the same."

- "I feel ready," I reply.

terça-feira, 13 de julho de 2010

DIA 8 - Biking with the queen



Getting ready to my soultrip.
Na hora de arrumar a mala, queria menos peso.
Queria uma poção mágica que minha mala desaparecesse aqui e surgisse lá na minha cama da Borboleta na Montanha.

Será que rola?

Será que rola de dar um mergulho dentro desse corpo denso, desse amontoado de sensações e vontade sem se apegar a nenhum deles?

Será que rola de não levar maquiagem, nem salto alto? Será que rola de acordar cedo, dormir cedo, rir bastante?

Não vejo a hora...

...

De magrela flui daqui até o LeblOM.
Onde a volta é mais bacana: venho cheirando o vento que vem secando minha boca feito beijo de adolescente chapado. Lembra?

Depois aula de Shakti, doce Shakti me girando toda, mostrando que ainda giro, que posso mais, que mais um pouquinho, que nó que foi dando na minha cintura e TIC. Abriu.

Sinto que fica num quase pra rolar umas trinta cãibras, mas não rola. Dá choquinho, como ela diz, mas não machuca. Nem um pouco.

Salva.

Merci Shakti. Merci.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

DIA 7 - A dor que sinto ao abrir o peito



Bem interessante pegar a magrela depois do banho anti ferrugem, que teimo em chamar de "anti gripal" feito aquelas vitaminas que tomamos aqui no Rio, que tem gengibre mel limão e mais umas paradas que ardem até a alma. Mas isso é feito na bicicleta, que fica inteira e pronta para umas pedaladas na ciclovia.

Fui direto pro Humaitá pela Lagoa, curtir uma aula de 2 horas de Iyengar regida pelo Heiko. E lá vai ele insistir no Gomukhasana e vem ele chegando perto e ai, vai torce, empurra, vem dor, uma escapula que encontra minha costela anterior e, nossa, fico sem ar. Mas quando desfaço a postura, hmm, que sentimento é esse?

Leve, aberta, mas dá vontade de chorar. Mas não estou triste???

Sol está forte, pedalada boa, deu fome. E lembrei das diversas vezes que optei em ir dar um mergulho e comer aquele salgado do New Natural, de cebolas com catupiry na massa integral. Preferi pegar o corte e ir cozinhar. Tudo no forno, tudo pelo sadhana.

Deu vontade de dançar, de fluir.

...

Tem vento forte que bate nas costas e abre a força minha alma fechada.
Tem barulhinho de frio, chuvinha de leve. Tem cheiro de nuvem.
Tem ar no peito, suspiro sem motivo, tem louça pra lavar.

Depois do banho de yoga
do banho de chuva
do banho de chuveiro
quero um banho de sonhos bons.

...

Já escolhi minha nova tatoo.

domingo, 11 de julho de 2010

DIA 6 - Yogis ou Hippies?


May yoga mirror our real faces
after healing our blind eyes.



sábado, 10 de julho de 2010

DIA 5 - Shiva mia, sabia?

Ela se chama Shiva. Simples, porque é toda tigradinha.
Fui buscar ela na praça Arco verde, na quinta.

Viemos eu e Shiva no ônibus, Shiva fazendo jus ao nome, esperneando e uivando dentro da caixinha.

Em casa eu olhei pra ela, no fundo daqueles olhinhos verdes, e disse: "a gente vai ter que se acertar, mas quem faz as regras dessa casa sou euzinha, pois cheguei primeiro."

...

Hoje faz 3 dias que Shiva chegou por aqui, bagunçando tudo literalmente. E me mostrando com miados altos até as 4 da manhã, quem é que manda aqui...

Dharminha está xonada xonada pelo bichano, mas foge dela, que quer morder seus pés.

...

Eu acordei de leve, tranquilinha, sem pressa. Fui correr na areia.
Corri bem: daqui da ponta de Copa até o Leme.

Sol batendo forte no rosto.
Inverno quente.
Meu sono foi um desvio entre sono, sonho e invenções.
Minha corrida entre superação, sonho e invenções.

Tudo tranquilo, tudo querendo pular para minhas férias na ilha.
Porque será?
...

Agora pretendo olhar um filme, reinventar uma realidade na caixa da TV.
Queria te ver. Queria. Não quero mais.
Quero, mas algo dentro de mim diz que não devo.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

DIA 4 - Reflexo dos Vedas


Particularmente
estou no balanço

empurrada pelo vento da vida.

Sinceramente
sol não mente
mas água é consciência

tua paciência.

Tua boca se tornará meu livro,
os seus braços, proteção,
suas coxas se transformarão em direcionamento
e dos teus pés há de nascer minha maturidade.

texto encostado no rig veda
berço do teu nome

onde sonha, acordado,
teu reflexo em mim.



foto: Napples, 2009.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

DIA 3 - Dharminha quer um gato

Tem formigas na tela do meu notebook.
Isso é o quê hein? Mel? Açúcar? Um aviso?

Deu vontade de sair fazendo poesia.
Poesia pra vizinha

Que deixou o pote aberto
não deu certo

pois bicho homem num veio
veio entregador
veio sem uva
veio saúva

pronta pra dançar na frente do espelho
do meu computador.

...

Fomos atrás do gato. Pessoal da doação não estava na saída do Cantagalo nem no Arco Verde.
Jolie foi pra creche sem saber do gato.

Aula no Leblon. Vou de Magrela pra ficar magrela.
Depois conto como foi minha daytrip. Tem um sol amarelaço, um céu totalmente Krishna lá fora. Cansei desse teto branco aqui.

Hare Om!

quarta-feira, 7 de julho de 2010

DIA 2 - Amor ou apego?














Recebi email da minha terapeuta me chamando pro "cumbate". "Te esperei ontem", dizia ela. "Ontem", pensei, " estava na praia lendo Gheranda Samhita entre um cochilo e outro."

E como Ammy "i say no, no, no."

Preferi ir na polícia, dar queixa das coisas que faltaram no meu carro. E lá vem reflexão: deixo o coitado levar as roupas pra família dele e arco com o prejuízo ou vou na polícia e levo a ocorrência para a garagem que alugo, para que alguém pague por isso?

O que interessa no final? (suspirei)

Não quero que ele(a) perca o emprego, mas, caramba e aí meus ombros não aguentam...

Eu ou ele?

Antes ainda do meio dia, antes de ir pra Bem Viver dar as aulas de restaurativa para os funcionários, iniciei o blog do True Love, para ficar pronto antes dos workshops em São Paulo. Mais uma vez percebi o quanto sou abençoada, como as coisas fluem e são criadas com facilidade por mim. Apenas não vejo dificuldade no empreendedorismo, o que assusta muita gente.

O que me assusta é ver namorados brigando e continuarem juntos.
Ou pessoas que não sentem mais amor por outras pessoas, e acreditam que bramacharya é seguir num caminho a dois onde acabou o amor.

Ficou o quê então? Companheirismo?
Isso é hard core pra mim.

Pois pra mim companheirismo é amizade. Amor, amorzinho, tem que ter uma massala ao menos...

Hora de dar minha aula personal ao casal mais "massala" do Rio de janeiro, os dois velhinhos, os dois unidos, onde preferem fazer posturas que possam ficar de mãos dadas, olhando um no olho do outro.

Cuidando-se com amor. E não com apego.

Hare Om!

DIA 1 - o ouro que existe em parar pra se enxergar


Amma me cutuca devagarinho toda vez que passo batida em frente ao altar: "Meditação é Ouro."

Hoje, inquieta com email que não chega, com resposta que não veio, com vontade que ficou no ar e listas e mais listas que nunca ganharam o "checked" da minha caneta, resolvi suspirar e parar mais uma vez.

Meu segundo jejum de 40 dias desse ano.

Parar e recomeçar do exato momento que me perdi mais uma vez.
E se não aprendi, será dessa vez.
E também se não for dessa vez, será da próxima, mas eu ei de aprender.

"Alice acorda!", ou chega de realidade e vai sonhar um pouquinho...
pouca coisa, coisa doida, mas tenho que tentar. Assentar. Silenciar.

O que meu treino de Iyengar ontem me corrigiu, minha aula de ashtanga de hoje me entortou. Já deu pra sacar no grito do meu corpo o que serve para mim.

Tenho que aprender que meu corpo está machucado, que quer tempo, quer restaurativa...
Tenho que voltar a dormir mais cedo, marcar de sair com os amigos, fazer visitas.
Quero voltar a ter sonhos bons, ou melhor, não ter sonhos enquanto durmo, pra não acordar cansada...

Mas ter sonhos de dia. Dizem que são sonhos mais reais. Palavra de Edgar Allan Poe...

Ontem comprei um livro de Rumi que diz que não sou mais amarga, vivo imersa em açúcar (talvez eu exagerei nas últimas semanas)
E questiona o porque do meu temor ao inverno, quando tenho a primavera?

Fui visitar o Dada, que quer fazer um grupo pra Índia e tudo o que pergunto é se posso ficar na Amma. Ele ri e diz "sim sim sim" com aquele sotaque indiano. E volto pra casa com uma sacolinha cheia de pastas para pés, dentes, pele. Amo ayurveda.

(suspirei.)

Tem pasta para fazer uma piscina no meu coração e ficar lá por horas? Eu percebo agora um pedaço de mim tentando aparecer no campo aberto, espiar lá da floresta como um bambi arisco, e ter certeza que nenhum cupido doido quer acertar um flecha em mim, flecha que já tem outra dona.

Chega de viagens cupido. Vê se assenta você também.

(suspirei.)

"Relaxa ombro, relaxa". Deixa de querer carregar tanta maya... uma mochilinha com comida e Jolie dá por enquanto e irá poupar minha coluna.

Se entrega ombro no "porque não" e aceita o que vem.

"E se não vem?". Então vamos fazer compras no hortifruti, porque simplesmente não tem.

Entresafra. Falta no mercado. Procura maior que a oferta. Não nasceu ainda.

Não amadureceu.

"Hmmm."

E assim sigo espiando o espelho da minha alma pra saber direitinho o que ela quer,
o que ela tem pensado,
o que ela tanto teme.

Que minha sombra siga me enfrentando, porque estou bem de frente pra ela.
O jejum é pra ela e o crescimento virá através dela também.

Hare Om.


Toca Samba Sadhashiva com Donna de Lory. A foto é de meu amigo Mau Carniel, que sabe que amo fotografar o Sol.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

qual o seu destino?


Você está correndo pra quê?
Vais chegar lá de qualquer jeito...

Mas,

Você tem que chegar em algum lugar?

E o presente, como é que fica?



Marco Shultz 26/06/2010

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Insônia: quando o inimigo dorme ao lado



Como retomar o bem-estar físico quando a mente está agitada e esgotada ao mesmo tempo e a insônia passou a ser uma companheira de quarto? Alguns respiram, praticam pranayama. Outros sentam em sukhasana e meditam, projetam, testemunham. Outros, em savasana, entram em Yoga Nidra.

Eu coloco minha vida num papel a minha frente como se tivesse aberto um HD imenso, e com giz de cera, vou escrevendo tudo o que está literalmente me tirando o sono, utilizando cores de acordo com a prioridade de execução das tarefas/pensamentos. Um bom exercício para um vata inquieto, um pitta frustrado e irritado porque as coisas não andam acontecendo do jeito planejado ou um kapha que se perdeu dentro de tantos compromissos e tarefas e não sai do lugar.

Numa cartolina branca observo minha vida... tão lá fora, prejudicando e esgotando meu corpo e minha mente.
Tento priorizar o que vai dar um sono tranquilo, um dia presente e ao que está dentro pedindo atenção há vidas. Olho com carinho para o ítem "mais quietude e mais meditação". Que seja numa alimentação preparada com canto de mantras. Num banho com óleos, sem pressa, elaborado conforme minhas necessidades. E as vezes precisamos simplesmente suspirar. E isso já é um bom começo, desde que seja feito de forma consciente.

Escrevendo aquilo que me angustia, a sensação que tenho é como se um grande peso fosse saindo das minhas costas. Não é abrir a agenda e organizar seus horários. É mais que isso.

É agir com discernimento perante um bolo de coisas que vão sendo escritas por você mesmo, tarefas e mais tarefas, invenções, compromissos "inadiáveis". A cada palavra escrita, um novo olhar sobre ela. E você vai perceber como tem material a ser "deletado". Mas permita-se estar aberto a isso com neutralidade e distanciamento, ok? É somente um punhado de energia que está tirando o foco de algo bem mais importante a ser realizado em sua vida, pode ter certeza disso.

Depois de coloridas e enumeradas por prioridade - e uma porção literalmente riscadas do mapa - a cada tarefa cumprida, com o cuidado de não inventar duas novas logo adiante, um suspiro de alívio. E dê tempo ao tempo: duas por dia. Uma tarefa que requer mais tempo e paciência terá um mês. Faça de uma vez aquele telefone para a companhia de cartão de crédito. Aliás, quebre-os. Eles agem como algemas na nossa mente. Nos aprisionam. Telefone para as tias, afilhada, irmã que mora longe e custa um DDD danado. Faça.

Organize a pasta de contas. Limpe o armário. Tire um dia para dar roupas, costurar outras, guardar umas tantas. Sente-se na praia com uma amiga que não vê há tempos, não interessa se naquele dia as ações estão subindo e você tem que olhar no seu smartphone (ou como chama um amigo meu, "trashberry"). Desligue-se.

Perceba que as tarefas que mais tensionam nosso pescoço e costas são exatemente as que vamos empurrando com a barriga, ou seja, as que custam TEMPO. Realize-as. As que não são importantes, desapegue de uma vez. ISSO é muito importante.

O interessante nesse processo é perceber como fazemos coisas, muitas ao mesmo tempo. Por isso nos sentimos tão cansados até mesmo nos dias que acordamos tarde e não realizamos muito fisicamente. A mente não pára, nem o tempo.

Nesse processo de colocar tudo no armário e sentar de frente dando o real valor a cada um dos "arquivos" de nossa mente, aprendemos muito. Sobre nossas escolhas, sobre nossos medos, medo daquilo que já deveria ter virado realidade e vamos sabotando... Aprendemos que existem questões que merecem carinho e um olhar sincero, daquilo tudo que é construção sua, reflexo de sua personalidade. Questões muitas vezes profundas, as que mais tememos encarar e que, no final, nos impedem de seguir realizando.

Na cartolina nos deparamos com crenças tolas, vontades absurdas, mas que fazem parte de nossas "sombras", aquilo que também somos. Ora, somos luz e sombra, yin e yang, aquilo que nos orgulha e o que nos causa vergonha e insistimos em criar uma pastinha onde está escrito "deixa quieto" como se varrêssemos para baixo do tapete, sem coragem de jogar na lixeira e nem de deletar...

Pois bem: hora de, com pernas cruzadas ou não, espelhar nosso sistema mental e organizá-lo. Faça hoje, não espere pela segunda-feira. Quebre padrões, desafie-se!

Risque o que é passado, reescreva seu momento. Com ânimo, seus humores mentais passam a ganhar equilíbrio e uma espécie de bem-estar vai substituir aos poucos a fadiga mental.

Depois disso, um leite quentinho com uma pitada de noz moscada irá ajudar naturalmente a induzir ao sono. Um pouco mais? Automassagem nos pés com óleo de gergelim. E depois disso, bons sonhos.

Mas sem exagerar na quantidade deles!


Originalmente publicado no site do Centro de Medicina Indiana do RJ. //www.medicinaindiana.com.br

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Uma declaração aos SEM namorados


Um dia um amigo fez o seguinte comentário: "Imagino qual seria o motivo de uma mulher como você estar sozinha".

:,/

Minha primeira reação foi formular meia dúzia de sinceras respostas destacando meu lado "yogini" e mãe como prioridade nesse momento. "Quero ficar bem sozinha, quero aprender a gostar de mim e aí estar pronta para compartilhar e somar com o outro."

Passado algum tempo, tenho outras respostas para o comentário.

Hoje, enquanto pedalava desesperadamente de um lado a outro de Copacabana, procurando um salão que ainda fizesse uma escova no meu cabelo, lembrei de todos os salões do Rio deveriam estar pipocando de pessoas a procura da escovista perfeita pois hoje é sexta feira.

Mas como se não bastasse, é véspera do Dia dos Namorados.

Me permita ser eu mesma aqui. Se alguém se identificar, vamos lá. Se não, vamos conversar mais sobre isso.

Começamos assim, com uma simples pergunta: Porque todo mundo tem que estar sempre com alguém, SENÃO TEM ALGO DE ERRADO COM AQUELA PESSOA? Sinceramente, isso não é um grito, mas uma pergunta em caixa alta.

Eu fiz escova hoje porque eu queria estar bonita para sair com um grande amigo e dançar até doer o pé. Fiz o pé e a mão porque adoro combinar com minhas roupas. E hoje, e ontem e depois de amanha, será o dia dos SEM namorados. Temos 364 dias por ano!!!!!!

Pela primeira vez em 15 anos tenho o dia 12 de junho só para mim... posso namorar com Jesus, com Khrishna, com poesias de Quintana, de Neruda. Posso tomar vinho e rir e me dar o presente que eu gostaria de ganhar. Sem medo dos presentes trocados dessa noite que virá:

Presente que não coube,
presente que vai ganhar sorriso amarelo em troca,
namorado que só dá atenção pra namorada no dia dos namorados (ou que só se comporta como um nesse dia...)

Motéis lotados,
flores compradas,
jantares caros,
simples,
na sala,
que terminam na cozinha.

Alguns inícios. Outros, finais de namoro...
Troca de namorados, mensagens trocadas, ida sem vontade, volta sem vontade.

Cinema com celular desligado.
Abraço gostoso, abraço fingido, abraço partido, abraço traído. Tem de tudo no dia 12. Tudo de bom, tudo de om, tudo de sem graça também.

Porque é mais um dia para comprar,
para se fantasiar,
para tentar agradar aquele (a) que nunca está satisfeito.

Ou para selar algo que seja eterno enquanto dure.

E sigo completamente tranquila e sozinha: sozinha porque não estou acompanhada.

Essa é a melhor resposta, a menos dual, a mais verdadeira, sem fantasias, sem ego, sem nenhuma vergonha porque não há motivo para termos vergonha. É como ir ao supermercado: ou você foi sozinho, ou foi acompanhado. E pronto.

Sigo tranquila como a chuvinha que cai lá fora.
Com coração sorrindo,
com sorriso batendo na cara a cada 10 segundos,
com presentes satwicos chegando na porta da minha alma a todo instante.

Essa é minha declaração a você que não pára de assistir o trailer em que a atriz Reneé canta "All by myself". Pára com isso, há muita vida lá fora, mas muita vida ainda a ser explorada aí dentro de você também.

Larga o chocolate, nada de piedade. Piedade de quem?

Lembre-se: com namorado ou sem a frase "eles viveram felizes para sempre" sempre teve um significado bem mais profundo:

Eles viveram felizes para sempre, porque já eram felizes quando se conheceram.

Cheers!

foto: Arte na vitrine de uma Galeria em Atlanta/USA.

domingo, 30 de maio de 2010

Dinacarya - Rotina diária na Ayurveda



1. Acordar, sempre que possível, antes do Sol nascer e beber um copo da água morna com limão.
2. Esvaziar a Bexiga e os Intestinos e tomar seu banho.
3. Fazer algum tipo de respiração (Pranayama). Repetir pela tarde.
4. Praticar algum exercício. Sugestão, alguns ciclos de surya namaskar, a saudação ao sol.
5. Tomar café antes das oito da manhã.
6. Lavar as mãos antes das refeições.
7. Escovar os dentes logo após as refeições.
8. Após as refeições, dar uma caminhada curta, de aproximadamente 15 minutos. Cochilar após o almoço aumenta o peso do corpo. Lembre-se sempre: comer demais nunca é saudável.
9. Comer em silêncio, após agradecer pela refeição. Almoço entre 12 e 14hs é muito importante, pois é quando seu agni está mais ativo (fogo digestivo).
10. Comer e mastigar devagar. O liquido nunca deve acompanhar a refeição sólida, pois ele desacelera a digestão. Ingerir bebidas geladas, em excesso, reduz a resistência e cria aumento de muco.
11. Massagear as gengivas com os dedos usando óleo de gergelim.
12. Jejuar uma vez por semana (jejum a base de frutas e líquidos) (Kapha) ou quinzena ( Pitta e Vatta ).
13. Dormir antes das 22hs. (a cada ciclo noturno seu organismo cumpre uma função muito importante, que não ocorre em outro momento do dia!)
14 Fazer a última refeição duas horas antes de dormir.
15. No caso de dificuldade de dormir, fazer uma massagem nos pés com óleo de gergelim e beber leite morno com nós moscada.


DINACARYA – rotina diária na Ayurveda
Por Dr. Vasant Lad / Terapeuta Miila Derzett

sábado, 1 de maio de 2010

Se eu fosse um verbo



Recomeçar.

Todo dia restartando junto com as primeiras horas do meu dinacharya....
entre 4 e 6 da manhã,
se colocando em tadásana junto ao sol.


Reverencio...

Espreguiço feito passarinho,
Reaprendo a voar..
.

Bato asas no urdhva hastasana, desvio dos galhos da preguiça.
Tomo banho frio mergulhando em uttanasana reclamando no grito dos músculos ainda frios...

Sacudo água que me deixaria mais pesada e... bem, eu deveria seguir o bando no surya namaskara.

Mas prefiro ficar sobrevoando meus sonhos em sukhasana, como pequenos e grandes edifícios de concreto lá debaixo dos meus medos.

Será que tenho na minha inconsciência Krishna movimentando meus braços e passos,
quando escolho viver uma vida autêntica,
ainda que imperfeita,
porém assinada com meu nome no final dessa existência?


Assovio no fio
que enreda minha mente
construo meu próprio ninho
sem ter pena do destino.

E fluo no vento
Cantando ou de bico fechado.

Não há nada melhor que abrir asas e senti-lo soprando meu corpo contra mais dele mesmo.

domingo, 25 de abril de 2010

A vida imita um filme



"Como pode você se interessar por mim, se tem uma placa enorme na minha cara listando todos os meus defeitos?"

Essa foi uma pergunta de Emma Thompson para Dustin Hoffman. Nunca lembro o nome do personagem. Nem do filme. Isso que acabo de ver o filme. O problema é a memória, pois já passo dos 34.

E eis os outros ítens da minha placa: sou mãe, sou provinciana, gaúcha, gremista. Já tive um câncer, já levei uns 10 foras. Já fui traída e já surfei ondas enormes na Guarda do Embaú.

Hoje tenho medo de pegar ondas no Arpoador. Vai saber porquê.

Fico brava com facilidade mas, na maioria das vezes, é porque minha vontade não foi feita. Ou seja, sou mimada também.

Simmm! Faço terapia, tomo florais, rezo. Parei de beber, não saio de noite. Comprei um cd numa banca no Saara com 25 músicas que levanta qualquer defunto. E meu carro vira uma discoteca às 8hs da manhã. Ou a hora que eu quiser.

Tenho celulite, meu guarda roupas é uma bagunça. Tenho mania de comprar sapatos e mania de dar roupas e sapatos. Choro com a história dos outros. Não sei apertar parafuso: minha bicicleta está perdendo uma roda e meu abajur pisca mais que olho de nervoso.

Eu podia jurar que era a Miss Simpatia do Rio de Janeiro até ver essa foto aí e minha carinha amarrotada no meio de uma tarde ensolarada de Ipanema. Imagina num dia de chuva...

Digo "não" na lata. E sim também. Fico babona quando amo. E sou teimosa quando acredito em algo. Insisto até que as coisas aconteçam conforme planejado. E quando não acontecem conforme o planejado, eu fico brava. Isso se chama mimo. Acho que já falei desse defeito.

Gosto muito de gastar com comida. Reclamo quando as contas chegam mas dou risada alta no elevador. Assim os porteiros não ficam com medo de mim cada vez que abro a caixinha do correio.

Não sei regras de português: um absurdo para quem estudou na melhor faculdade de jornalismo do país: a Famecos!

Me orgulho de não saber português e a desculpa que dou é que morei a maior parte da minha vida fora do país. Adoro justificar meus defeitos. Isso é outro defeito.

Estou sempre insatisfeita e já encontrei um fio branco nos meus cabelos. Sou brega. Como com vontade e adoro engasgar de tanto rir. Amo viajar. E troco de destino a cada hora.

Penso muito antes de falar mas sempre sou mal compreendida. Sempre.

Sou carinhosa. Um grande defeito nos dias de hoje. Bem, pela foto acima, acho que estou mudando.

Sou romântica. Já tenho guardado o babydoll que vou usar quando meu grande amor chegar. Ele foi ali e já volta. Quero casar na Índia e andar num elefante, quero casar a fazer bagunça em "Vegas" e terminar o ritual numa praia do Rio, descalça, com os amigos íntimos.

E Emma Thompson continuava sua fala depois de ter listado seus defeitos:

"Nascer mulher já parece ser um defeito. Somos muito complicadas! Mas veja só Shine: que graça teria se não tivesse nenhuma de nós colorindo o mundo preto e branco dos homens?"


Ela dá uma gargalhada. E Dustin se apaixona por ela.

domingo, 11 de abril de 2010

Dia 29




-Tudo isso?
Vai passar?

- (Ele) Tudo já passou.

- Mas... e o mar, tão barulhento,
e esse momento,
tão cheio de gente,
tão real?

- (Ele) Já passou.

- E eu?
Meus desejos,
e esse aperto?

- (Ele) Respira.


Me ergo, suspiro, alinho meus ombros - como se fosse só isso.
Tem um sol queimando minhas costas largas.


- (Ele) Está repetindo.


Que agonia, quero sair dessa roda.
Saio mas sempre volto,
como se o sentimento de rejeição me trouxesse pra mais perto de mim mesma.
Ou Dele.


Questiono, tenho raiva desse tempo.
Que faz sol, depois faz vento.
Dói viver presente porque ele não é uma caixinha de surpresas.

Ao invés, tem sentimentos.
Tem dor no corpo.
Quero entender!
Que vontade de correr.


- (Ele) Senta.

- Eu tô sentada!

- (Ele) Senta.

- Pra quê?

- (Ele) Pra passar.

- Eu não quero que passe sem ter existido!
Cadê ele?

- (Ele) Sentado.

- E vai ser sempre assim?

- (Ele) Não.

- E o que eu estou fazendo sentada?

- (Ele) Saindo da roda.

- E ele?

- (Ele) Também.


Meu olho arde,
entre chorar e secar.


- E esse frio horroroso que sinto depois de ter ido mergulhar lá no fundo?

- (Ele) Pra acordar.




Foto: Rain_bow @ 7 something this sun_rainny day @ Arpoador.

domingo, 14 de março de 2010

40 dias e 40 noites de jejum


Estou lá dentro e lá dentro, está aqui dentro.
Porta se abrirá em 24 de abril de 2010.
Até lá... mauna virtual.
Jejum de toda essa parafernália tecnológica.



Foto do salão das 7 janelas, na Academia Hermógenes.

quinta-feira, 11 de março de 2010


"Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro.

A real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz."


Platão



foto: Voando com o amigo Moikano. Hoje completo 5 anos de vida.

domingo, 7 de março de 2010

O caos organizado de Deus



- Pessoa está em Del Castilho quando cai uma chuva normal de 40 min.
- Pessoa resolve ir embora, pega a Linha Amarela e a Avenida Brasil.
- Logo mais a frente teríamos uma paradinha de 40 min para subir a Linha Vermelha e uma poça de água que bate na porta do carro.
- Pessoa conversa com seu carro, com promessas de não vendê-lo, caso ele atravesse o mar de esgoto.
- Carro passa e pessoa fica muito eufórica com o carro, comemoram, gritinhos de Uhu e tal, porque meia dúzia de outros carros ficaram pra trás.
- Depois da poça, pessoa anda livremente por 10 minutos, até errar o caminho e cair na Presidente Vargas onde o trânsito está parado de motores desligados.
- Pessoa resolve subir a calçada e ir para a Rodoviária pegar o Santa Bárbara.
- Alguns imitam-a.
- Na Rodoviária, depois de 10 min de trânsito livre, poça e polícia não deixam pessoas chegarem ao Santa Bárbara.
- Pessoa agora decide tentar o Centro, mas cai em São Cristóvão.
- Pessoa está suando e mantrando uns palavrões...
- Numa das ruas enquanto estava totalmente perdida, cai a luz e se depara com uma cascata de água.
- Pessoa começa a procurar hotel ou o que seja, mas amiga por telefone liga e diz que não existe hotel ou motel em SC.
- Pessoa vê um posto BR com outras 50 pessoas e resolve parar por ali.
- Pessoa encontra no porta malas uma galocha muito diva e desce para procurar a loja do posto.
- Pessoa come feito camelo: sanduíche (porque os salgados sumiram), capuccino, grissinis e um charge.
- Às 22hs (já se foram 3 horas), a gerente põe todo mundo pra fora, inclusive crianças de colo, porque não acreditou que 50 pessoas estavam ali porque não tinham como ir para casa. Ela achou que estávamos num big brother.
- Debaixo de uma sombrinha, pessoa é convidada por duas meninas (uma com uma camisa que dizia "Jesus é o único que salva") a ir esperar a chuva passar na Igreja onde elas haviam saído horas antes.
- Pessoa tem uma das noites mais interessantes da vida, conversando sobre jejum, valores, mandamentos que, não por coincidência, são os mesmos da Yoga.
- Pessoa vai para casa 5 horas e meia depois, muito leve.

E eu que no meio disso tudo havia dito ao telefone: "Vou dormir numas dessas igrejas!".
Hare Om! Amém.




*** Foto, menino no porta malas num carro que 7 pessoas, e um adesivo que diz "Deus é fiel".

quinta-feira, 4 de março de 2010

To name a few




Na partida da saia que se parte, não deleta o sentimento que fica em negrito.
O choro entope minhas veias, me adoece, me substima.

Que chato ficar parado, estímulos mais que variados, mais e mais livros e som e cinema com final abstrato.

Que feliz chegar no banco e não ter assento...
Que feliz não ter fila de idosos mas meus pensamentos são tão velhinhos...

Na meia dúzia trocada por um 6 fajuta, minha pele injusta
soluça, com saudade da Índia.

Índia que nem fui, sul que me traiu, norte que me deixa encantada
com pedalar de vento na cara
porque moro num rio que não sorri.

Completa e desnuda, me entrego numa terapia, mas não aflita,
vai me colando com cuspe de outrém.

Vem neném: te sub_julgo na saída, nas minhas lágrimas, na agonia, embriagada com as placas de milhas que distanciam os aeroportos daqueles que não estão mortos.

Mais que dinheiro ofereço um cheiro, um encosto no couro, não do carro, mas da minha alma curtida.

E chega de arranjos arranhados no meu ipod, de notas que fazem sentido quando fecho meus olhos, mas num apelo romântico de entrega nova iorquina, vê minha rima, onde tudo se instalou.

Sai da pista da esquerda, volta pro semáforo onde a gente se esbarrou.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Purnamadah purnamidam


...Na verdade, somos uma só alma, tu e eu.
Nos mostramos e nos escondemos tu em mim, eu em ti.
Eis aqui o sentido profundo de minha relação contigo,
Porque não existe, entre tu e eu, nem eu, nem tu...



Poema de Rumi, foto de mim. Minha sala cheira a alecrim.

sábado, 6 de fevereiro de 2010



BEnana HAPPY.



foto: bananinha feliz na minha cumbuquinha no café da manhã.

É disso tudo que nasce o amor



Da simplicidade: faço kisobô direto na minha cozinha.
Da entrega: me ferro, mas me entrego. (bem, pode passar tudo isso pro passado?)
Do medinho: que me fez sempre caprichar nos detalhes.
Do frio na barriga: que significa "foi pra mim?"

Nasce da simples verdade, da unha que está perdendo o esmalte,
da noite sem estrelas, mas mesmo assim, promessa de ser a noite de lua cheia.

Da praia sem ondas, sem tsunamis, mar calmo, lá fora e aqui dentro de mim.
Da falta de drama mas com bicicleta de pneus cheios.

Da ficha apostada, jogo ganho ou saída maltratada;
Do gozo perfeito, jeito perfeito, cheiro perfeito, mas não daquele que vai embora e leva meu peito.

Amor que vê arco íris e não nuvem negra de tempestade em todas as respostas.
Amor que desfaz vento, que alisa meu rosto, que "não deixa eu cair e bater com a cabeça sem deixar a mão por detrás dela..."

Meu amor irá nascer do tempo, das minhas risadas altas, da minha luz e minhas sombras, como yin yang, equilibrado e não mau humorado, desnaturado.

É assim que vai nascer um amor pra mim.



foto: Seis da manhã no Leme, durante Summer Run's Ville.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Gota d'água


Já lhe dei meu corpo, minha alegria.
Já estanquei seu sangue, quando fervia...

Olha a voz que me resta
Olha a veia que salta
Olha a gota que falta
Pro desfecho da festa

Por favor
Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa

E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d'água...


Música de Chico Buarque.
Foto Arpoador às 5h30

Qual o sentido?


Se a gente não tivesse feito tanta coisa
Se não tivesse dito tanta coisa
Se não tivesse inventado tanto
Podia ter vivido um amor grand' hotel

Se a gente não fizesse tudo tão depressa
Se não dizesse tudo tão depressa
Se não tivesse exagerado a dose
Podia ter vivido um grande amor

Um dia um caminhão atropelou a paixão
Sem teus carinhos e tua atenção
O nosso amor se transformou em "bom dia"

Qual o segredo da felicidade?
Será preciso ficar só prá se viver

Qual o sentido da realidade?
Será preciso ficar só pra se viver

Só pra se viver?


Música de
George Israel/Paula Toller/Lui Farias
Foto por do sol em Naples

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Pura realidade




Laurin Hill, diz uma das coisas mais lindas que já ouvi numa música:

"Fantasy is what people want,
but reality is what they need.
And I am just retired from the fantasy part."

Eu também.



foto: eu em supta badha konásana no Jivamukti em Toronto.
música: "Adam lives in theory", de Laurin Hill (versão acústica é fantástica)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Chuva que lava minha alma,
e a tua também,
e a água que escorre de nós corre pro mar.

E vira oceano de um só.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Onde começa e onde termina meu Dharma?


Parada na janela do meu apartamento no sétimo andar da rua Djalma Ulrich, observo a ambulância passando lá embaixo.
A pergunta que veio foi: quem será que está lá dentro?

E a resposta imediata foi: "quem está dentro, é você."

E por instantes visualizei o que seria a visão de mim mesma se eu fosse aquela figueira enorme que está na praça em frente ao prédio que moro.

Ela me vê, sugere uma transparência porque dessa natureza não posso e não conseguiria esconder nada. Ela encontra uma menina tentando ver as estrelas, segurando com as duas mãos a tela que serve para proteger, mas que ao invés disso, dá nó na garganta.

Mas a vista que eu tenho é de uma pássaro engaiolado. Livre está ela, a figueira, mesmo numa praça deprimente, ela está ali, dentre outras árvores, na árdua missão de filtrar a poluição dos carros que passam pelo túnel Sá Ferreira.

Da minha janela vejo tristeza nas outras almas. No edifício vizinho, uma briga de casal - dois passarinhos que deveriam estar voando, mas que se aprisionam em nome de leis e regras que não sabem nada sobre eles...

No outro apartamento, “apertamento”.

No outro ainda, uma tela gigante, vídeo game por horas, mesmo quando o céu azul e quente insiste invadir a sala, mas que falha, por conta das cortinas pesadas e fechadas, como pálpebras que não querem ver o mundo.

Mas qual a diferença entre eu, consciente disso tudo, e o moço do vídeo game, que prefere dar uma fugidinha e entrar noutro mundo? Reflito sobre o que me deixa aflita: esse dharma é estar preso ao que me regra e me faz andar numa pré programada trilha, como se eu fosse o personagem daquele jogo de vídeo game?

Ou meu Dharma pode ser pegar a mochila e abraçar o mundo eliminando essa tela entre eu e ele?

...e na frente da minha mesa, uma foto enorme da Guarda do Embaú.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Guaranteed


On bended Knee is no way to be free
Lifting up an empty cup I ask silently
That all my destinations will accept the one that's me
So I can breath

Circles they grow and they swallow people whole
Half their lives they say goodnight to wives they'll never know
Got a mind full of questions and a teacher in my soul
And so it goes

Don't come closer or I'll have to go
Owning me like gravity are places that pull
If ever there was someone to keep me at home
It would be you

Everyone I come across in cages they bought
They think of me and my wandering but I'm never what they thought
Got my indignation but I'm pure in all my thoughts
I'm alive

Wind in my hair I feel part of everywhere
Underneath my being is a road that disappeared
Late at night I hear trees they're singing with the dead
Overhead

Leave it to me as I find a way to be
Consider me a satellite forever orbiting
I knew all the rules but the rules did not know me

...


Eddie Vedder




sábado, 16 de janeiro de 2010

Poema de cara














Poema sem muita graça, sem rima, sem pirraça.
Poema pra tu pegar pra tu, pôr no bolso e dizer que tem um.

Um poeminha que não fala de desgraça.

Esvaziei as latas. Na verdade nem comprei nenhuma lata.
O dinheiro que tinha não coube num único bit da calculadora.
Essa danada que calcula tudo, até "dora", o feminino de dor.

Esvazio, então, a xícara de chá.
Escuto uma violinha ao fundo,
tão envergonhadinha que não sei dizer de quem é.

Perco o controle da direção mas não bati na curva.
Caí numa rua mal iluminada porque disseram que ali tem sentimento bom.
E sentimento bom gosta de uma tela de cinema.

Pouca luz. Caixa preta.

Sonho estar perto da tua orelha, toda perfeita,
em forma de ponto de interrogação.

Sonho de olhos abertos, um sonho bom.