POESIA & INSIGHTS
"A poesia não é minha. É como o vento, que só passa através de mim." Chico Xavier

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Canção de ninar

Quero fechar os olhos hoje,
do sono que tá cansando de bater.

E sumir entre meus sonhos
bem abstratos de preferência
bem confusos
para que eu não os entenda
para que eu os perca
não compartilhe.

Quero amanhã entrar num avião
ir embora deixando pra trás meu ego
meus erros
meu medo
minha saudade.

Passado escorre na cara
lágrima falha
tem medo de cair?

Você foi parar num nada
fechei os ouvidos com medo de ouvir,
tapei os olhos com medo de ver
mas aqui dentro tá meio escuro...

Pai, pode acender a luz?
E canta pra mim:
- "Bebê, eu amo você."

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

feliz agora?, pergunto para meu ego

Ops
I did it again.
química do medo foi mais forte que a do chocolate que comi essa manhã.

Não consigo, dói a espera, a espera é difícil
(não consigo esperar cantando, como sugeriria Jorge Ben)

Me enfiei numa sala de cinema. Foi o que deu para organizar depois do suco de abacaxi e coco.
Eu abri as duas mãos para te deixar ir...

Acho que foi por isso que vim pedalando na chuva, rain drops confuzing themselves with some tears?

Tá frio aqui.
Bicicleta leve demais. Faltou abraço.

Assim que é o desapego? Essa coisa sem graça, sem (com)paixão, sem amor, sem compromisso?
Assim que devemos praticar, considerando a fuga, o medo da entrega, justificando tudo isso como maturidade espiritual?

Pois estou me sentido burra.
Imatura, covarde e burra.

I am sad.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

valsa que não sabemos dançar?

o dedo na tecla do desejo
de enviar um torpedo
não deu tempo

de alcançar a vontade que foi mais sábia:
mandou eu esperar.

olhei pra lua cheia lá fora e mandei ela beijar tua boca.
"vai lá, eu deixo. deixa um beijo..."

qualquer música que toca vira melodia pra essa história, novela, poesia, coisas de outra vida...
já me esqueci de te esquecer porque... a tua estrada corre pro meu mar...

mas vem o tal respeito, tal ego inteiro se enchendo de razão,
desconstruindo a pobre da minha emoção...
que sai arredia, arisca, tentando entender o que colou teu corpo inteiro na minha alma
enquanto meu corpo suspirou tanto que virou vento.

que os dois aprendam a dançar essa nossa música,
sem regras,
tempo divino sem explicação.

eu acho que sinto amor por você...

pois a saudade já abana tanto que impossível aquietar minha mão senão no teu rosto.

num dia, que seja eterno, que seja logo, longo
mas que quanto mais demora
mas perto está de chegar.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

domingo, 5 de setembro de 2010

A volta do poeta


Sono que me arrasta pra cama.
Rima que me arrasta pra piscina
feito teclado
com pêlo de gato.

Teve uma vez que era chuva - dizia o moço da tv.
Houve um verão que derramou dois deles:
um tinha canto de sabiá
outro embalo de reggae.

Escorregue, mas não se entregue,
feito árvore que segue de pé,
tanto faz se foi tornado,
tempestade ou um pé d'água.

Há de dar pé.
O lago vazio, a poça da chuva, o canto do rio.
Pra quem não riu,
chuva não escorreu na cara.

Conta outra piada?
Faz parte da corrida o peito gritado,
o choro estancado,
a dor lá na sola,
"mente, não amola!"

Fogão que era foguinho
de tão pequenininho,
esfarelou-se num "não!"

There is no sun
There is no one.


Fala o sem graça do meu ego.

Coração diz que "não"
ainda tem muito o que falar
o moço do tempo da TV.

(na segunda leitura, houve um suspiro.)



foto: por do sol em Santa Teresa/RJ