POESIA & INSIGHTS
"A poesia não é minha. É como o vento, que só passa através de mim." Chico Xavier

sexta-feira, 9 de julho de 2010

DIA 4 - Reflexo dos Vedas


Particularmente
estou no balanço

empurrada pelo vento da vida.

Sinceramente
sol não mente
mas água é consciência

tua paciência.

Tua boca se tornará meu livro,
os seus braços, proteção,
suas coxas se transformarão em direcionamento
e dos teus pés há de nascer minha maturidade.

texto encostado no rig veda
berço do teu nome

onde sonha, acordado,
teu reflexo em mim.



foto: Napples, 2009.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

DIA 3 - Dharminha quer um gato

Tem formigas na tela do meu notebook.
Isso é o quê hein? Mel? Açúcar? Um aviso?

Deu vontade de sair fazendo poesia.
Poesia pra vizinha

Que deixou o pote aberto
não deu certo

pois bicho homem num veio
veio entregador
veio sem uva
veio saúva

pronta pra dançar na frente do espelho
do meu computador.

...

Fomos atrás do gato. Pessoal da doação não estava na saída do Cantagalo nem no Arco Verde.
Jolie foi pra creche sem saber do gato.

Aula no Leblon. Vou de Magrela pra ficar magrela.
Depois conto como foi minha daytrip. Tem um sol amarelaço, um céu totalmente Krishna lá fora. Cansei desse teto branco aqui.

Hare Om!

quarta-feira, 7 de julho de 2010

DIA 2 - Amor ou apego?














Recebi email da minha terapeuta me chamando pro "cumbate". "Te esperei ontem", dizia ela. "Ontem", pensei, " estava na praia lendo Gheranda Samhita entre um cochilo e outro."

E como Ammy "i say no, no, no."

Preferi ir na polícia, dar queixa das coisas que faltaram no meu carro. E lá vem reflexão: deixo o coitado levar as roupas pra família dele e arco com o prejuízo ou vou na polícia e levo a ocorrência para a garagem que alugo, para que alguém pague por isso?

O que interessa no final? (suspirei)

Não quero que ele(a) perca o emprego, mas, caramba e aí meus ombros não aguentam...

Eu ou ele?

Antes ainda do meio dia, antes de ir pra Bem Viver dar as aulas de restaurativa para os funcionários, iniciei o blog do True Love, para ficar pronto antes dos workshops em São Paulo. Mais uma vez percebi o quanto sou abençoada, como as coisas fluem e são criadas com facilidade por mim. Apenas não vejo dificuldade no empreendedorismo, o que assusta muita gente.

O que me assusta é ver namorados brigando e continuarem juntos.
Ou pessoas que não sentem mais amor por outras pessoas, e acreditam que bramacharya é seguir num caminho a dois onde acabou o amor.

Ficou o quê então? Companheirismo?
Isso é hard core pra mim.

Pois pra mim companheirismo é amizade. Amor, amorzinho, tem que ter uma massala ao menos...

Hora de dar minha aula personal ao casal mais "massala" do Rio de janeiro, os dois velhinhos, os dois unidos, onde preferem fazer posturas que possam ficar de mãos dadas, olhando um no olho do outro.

Cuidando-se com amor. E não com apego.

Hare Om!

DIA 1 - o ouro que existe em parar pra se enxergar


Amma me cutuca devagarinho toda vez que passo batida em frente ao altar: "Meditação é Ouro."

Hoje, inquieta com email que não chega, com resposta que não veio, com vontade que ficou no ar e listas e mais listas que nunca ganharam o "checked" da minha caneta, resolvi suspirar e parar mais uma vez.

Meu segundo jejum de 40 dias desse ano.

Parar e recomeçar do exato momento que me perdi mais uma vez.
E se não aprendi, será dessa vez.
E também se não for dessa vez, será da próxima, mas eu ei de aprender.

"Alice acorda!", ou chega de realidade e vai sonhar um pouquinho...
pouca coisa, coisa doida, mas tenho que tentar. Assentar. Silenciar.

O que meu treino de Iyengar ontem me corrigiu, minha aula de ashtanga de hoje me entortou. Já deu pra sacar no grito do meu corpo o que serve para mim.

Tenho que aprender que meu corpo está machucado, que quer tempo, quer restaurativa...
Tenho que voltar a dormir mais cedo, marcar de sair com os amigos, fazer visitas.
Quero voltar a ter sonhos bons, ou melhor, não ter sonhos enquanto durmo, pra não acordar cansada...

Mas ter sonhos de dia. Dizem que são sonhos mais reais. Palavra de Edgar Allan Poe...

Ontem comprei um livro de Rumi que diz que não sou mais amarga, vivo imersa em açúcar (talvez eu exagerei nas últimas semanas)
E questiona o porque do meu temor ao inverno, quando tenho a primavera?

Fui visitar o Dada, que quer fazer um grupo pra Índia e tudo o que pergunto é se posso ficar na Amma. Ele ri e diz "sim sim sim" com aquele sotaque indiano. E volto pra casa com uma sacolinha cheia de pastas para pés, dentes, pele. Amo ayurveda.

(suspirei.)

Tem pasta para fazer uma piscina no meu coração e ficar lá por horas? Eu percebo agora um pedaço de mim tentando aparecer no campo aberto, espiar lá da floresta como um bambi arisco, e ter certeza que nenhum cupido doido quer acertar um flecha em mim, flecha que já tem outra dona.

Chega de viagens cupido. Vê se assenta você também.

(suspirei.)

"Relaxa ombro, relaxa". Deixa de querer carregar tanta maya... uma mochilinha com comida e Jolie dá por enquanto e irá poupar minha coluna.

Se entrega ombro no "porque não" e aceita o que vem.

"E se não vem?". Então vamos fazer compras no hortifruti, porque simplesmente não tem.

Entresafra. Falta no mercado. Procura maior que a oferta. Não nasceu ainda.

Não amadureceu.

"Hmmm."

E assim sigo espiando o espelho da minha alma pra saber direitinho o que ela quer,
o que ela tem pensado,
o que ela tanto teme.

Que minha sombra siga me enfrentando, porque estou bem de frente pra ela.
O jejum é pra ela e o crescimento virá através dela também.

Hare Om.


Toca Samba Sadhashiva com Donna de Lory. A foto é de meu amigo Mau Carniel, que sabe que amo fotografar o Sol.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

qual o seu destino?


Você está correndo pra quê?
Vais chegar lá de qualquer jeito...

Mas,

Você tem que chegar em algum lugar?

E o presente, como é que fica?



Marco Shultz 26/06/2010

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Insônia: quando o inimigo dorme ao lado



Como retomar o bem-estar físico quando a mente está agitada e esgotada ao mesmo tempo e a insônia passou a ser uma companheira de quarto? Alguns respiram, praticam pranayama. Outros sentam em sukhasana e meditam, projetam, testemunham. Outros, em savasana, entram em Yoga Nidra.

Eu coloco minha vida num papel a minha frente como se tivesse aberto um HD imenso, e com giz de cera, vou escrevendo tudo o que está literalmente me tirando o sono, utilizando cores de acordo com a prioridade de execução das tarefas/pensamentos. Um bom exercício para um vata inquieto, um pitta frustrado e irritado porque as coisas não andam acontecendo do jeito planejado ou um kapha que se perdeu dentro de tantos compromissos e tarefas e não sai do lugar.

Numa cartolina branca observo minha vida... tão lá fora, prejudicando e esgotando meu corpo e minha mente.
Tento priorizar o que vai dar um sono tranquilo, um dia presente e ao que está dentro pedindo atenção há vidas. Olho com carinho para o ítem "mais quietude e mais meditação". Que seja numa alimentação preparada com canto de mantras. Num banho com óleos, sem pressa, elaborado conforme minhas necessidades. E as vezes precisamos simplesmente suspirar. E isso já é um bom começo, desde que seja feito de forma consciente.

Escrevendo aquilo que me angustia, a sensação que tenho é como se um grande peso fosse saindo das minhas costas. Não é abrir a agenda e organizar seus horários. É mais que isso.

É agir com discernimento perante um bolo de coisas que vão sendo escritas por você mesmo, tarefas e mais tarefas, invenções, compromissos "inadiáveis". A cada palavra escrita, um novo olhar sobre ela. E você vai perceber como tem material a ser "deletado". Mas permita-se estar aberto a isso com neutralidade e distanciamento, ok? É somente um punhado de energia que está tirando o foco de algo bem mais importante a ser realizado em sua vida, pode ter certeza disso.

Depois de coloridas e enumeradas por prioridade - e uma porção literalmente riscadas do mapa - a cada tarefa cumprida, com o cuidado de não inventar duas novas logo adiante, um suspiro de alívio. E dê tempo ao tempo: duas por dia. Uma tarefa que requer mais tempo e paciência terá um mês. Faça de uma vez aquele telefone para a companhia de cartão de crédito. Aliás, quebre-os. Eles agem como algemas na nossa mente. Nos aprisionam. Telefone para as tias, afilhada, irmã que mora longe e custa um DDD danado. Faça.

Organize a pasta de contas. Limpe o armário. Tire um dia para dar roupas, costurar outras, guardar umas tantas. Sente-se na praia com uma amiga que não vê há tempos, não interessa se naquele dia as ações estão subindo e você tem que olhar no seu smartphone (ou como chama um amigo meu, "trashberry"). Desligue-se.

Perceba que as tarefas que mais tensionam nosso pescoço e costas são exatemente as que vamos empurrando com a barriga, ou seja, as que custam TEMPO. Realize-as. As que não são importantes, desapegue de uma vez. ISSO é muito importante.

O interessante nesse processo é perceber como fazemos coisas, muitas ao mesmo tempo. Por isso nos sentimos tão cansados até mesmo nos dias que acordamos tarde e não realizamos muito fisicamente. A mente não pára, nem o tempo.

Nesse processo de colocar tudo no armário e sentar de frente dando o real valor a cada um dos "arquivos" de nossa mente, aprendemos muito. Sobre nossas escolhas, sobre nossos medos, medo daquilo que já deveria ter virado realidade e vamos sabotando... Aprendemos que existem questões que merecem carinho e um olhar sincero, daquilo tudo que é construção sua, reflexo de sua personalidade. Questões muitas vezes profundas, as que mais tememos encarar e que, no final, nos impedem de seguir realizando.

Na cartolina nos deparamos com crenças tolas, vontades absurdas, mas que fazem parte de nossas "sombras", aquilo que também somos. Ora, somos luz e sombra, yin e yang, aquilo que nos orgulha e o que nos causa vergonha e insistimos em criar uma pastinha onde está escrito "deixa quieto" como se varrêssemos para baixo do tapete, sem coragem de jogar na lixeira e nem de deletar...

Pois bem: hora de, com pernas cruzadas ou não, espelhar nosso sistema mental e organizá-lo. Faça hoje, não espere pela segunda-feira. Quebre padrões, desafie-se!

Risque o que é passado, reescreva seu momento. Com ânimo, seus humores mentais passam a ganhar equilíbrio e uma espécie de bem-estar vai substituir aos poucos a fadiga mental.

Depois disso, um leite quentinho com uma pitada de noz moscada irá ajudar naturalmente a induzir ao sono. Um pouco mais? Automassagem nos pés com óleo de gergelim. E depois disso, bons sonhos.

Mas sem exagerar na quantidade deles!


Originalmente publicado no site do Centro de Medicina Indiana do RJ. //www.medicinaindiana.com.br

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Uma declaração aos SEM namorados


Um dia um amigo fez o seguinte comentário: "Imagino qual seria o motivo de uma mulher como você estar sozinha".

:,/

Minha primeira reação foi formular meia dúzia de sinceras respostas destacando meu lado "yogini" e mãe como prioridade nesse momento. "Quero ficar bem sozinha, quero aprender a gostar de mim e aí estar pronta para compartilhar e somar com o outro."

Passado algum tempo, tenho outras respostas para o comentário.

Hoje, enquanto pedalava desesperadamente de um lado a outro de Copacabana, procurando um salão que ainda fizesse uma escova no meu cabelo, lembrei de todos os salões do Rio deveriam estar pipocando de pessoas a procura da escovista perfeita pois hoje é sexta feira.

Mas como se não bastasse, é véspera do Dia dos Namorados.

Me permita ser eu mesma aqui. Se alguém se identificar, vamos lá. Se não, vamos conversar mais sobre isso.

Começamos assim, com uma simples pergunta: Porque todo mundo tem que estar sempre com alguém, SENÃO TEM ALGO DE ERRADO COM AQUELA PESSOA? Sinceramente, isso não é um grito, mas uma pergunta em caixa alta.

Eu fiz escova hoje porque eu queria estar bonita para sair com um grande amigo e dançar até doer o pé. Fiz o pé e a mão porque adoro combinar com minhas roupas. E hoje, e ontem e depois de amanha, será o dia dos SEM namorados. Temos 364 dias por ano!!!!!!

Pela primeira vez em 15 anos tenho o dia 12 de junho só para mim... posso namorar com Jesus, com Khrishna, com poesias de Quintana, de Neruda. Posso tomar vinho e rir e me dar o presente que eu gostaria de ganhar. Sem medo dos presentes trocados dessa noite que virá:

Presente que não coube,
presente que vai ganhar sorriso amarelo em troca,
namorado que só dá atenção pra namorada no dia dos namorados (ou que só se comporta como um nesse dia...)

Motéis lotados,
flores compradas,
jantares caros,
simples,
na sala,
que terminam na cozinha.

Alguns inícios. Outros, finais de namoro...
Troca de namorados, mensagens trocadas, ida sem vontade, volta sem vontade.

Cinema com celular desligado.
Abraço gostoso, abraço fingido, abraço partido, abraço traído. Tem de tudo no dia 12. Tudo de bom, tudo de om, tudo de sem graça também.

Porque é mais um dia para comprar,
para se fantasiar,
para tentar agradar aquele (a) que nunca está satisfeito.

Ou para selar algo que seja eterno enquanto dure.

E sigo completamente tranquila e sozinha: sozinha porque não estou acompanhada.

Essa é a melhor resposta, a menos dual, a mais verdadeira, sem fantasias, sem ego, sem nenhuma vergonha porque não há motivo para termos vergonha. É como ir ao supermercado: ou você foi sozinho, ou foi acompanhado. E pronto.

Sigo tranquila como a chuvinha que cai lá fora.
Com coração sorrindo,
com sorriso batendo na cara a cada 10 segundos,
com presentes satwicos chegando na porta da minha alma a todo instante.

Essa é minha declaração a você que não pára de assistir o trailer em que a atriz Reneé canta "All by myself". Pára com isso, há muita vida lá fora, mas muita vida ainda a ser explorada aí dentro de você também.

Larga o chocolate, nada de piedade. Piedade de quem?

Lembre-se: com namorado ou sem a frase "eles viveram felizes para sempre" sempre teve um significado bem mais profundo:

Eles viveram felizes para sempre, porque já eram felizes quando se conheceram.

Cheers!

foto: Arte na vitrine de uma Galeria em Atlanta/USA.