POESIA & INSIGHTS
"A poesia não é minha. É como o vento, que só passa através de mim." Chico Xavier

quarta-feira, 7 de julho de 2010

DIA 1 - o ouro que existe em parar pra se enxergar


Amma me cutuca devagarinho toda vez que passo batida em frente ao altar: "Meditação é Ouro."

Hoje, inquieta com email que não chega, com resposta que não veio, com vontade que ficou no ar e listas e mais listas que nunca ganharam o "checked" da minha caneta, resolvi suspirar e parar mais uma vez.

Meu segundo jejum de 40 dias desse ano.

Parar e recomeçar do exato momento que me perdi mais uma vez.
E se não aprendi, será dessa vez.
E também se não for dessa vez, será da próxima, mas eu ei de aprender.

"Alice acorda!", ou chega de realidade e vai sonhar um pouquinho...
pouca coisa, coisa doida, mas tenho que tentar. Assentar. Silenciar.

O que meu treino de Iyengar ontem me corrigiu, minha aula de ashtanga de hoje me entortou. Já deu pra sacar no grito do meu corpo o que serve para mim.

Tenho que aprender que meu corpo está machucado, que quer tempo, quer restaurativa...
Tenho que voltar a dormir mais cedo, marcar de sair com os amigos, fazer visitas.
Quero voltar a ter sonhos bons, ou melhor, não ter sonhos enquanto durmo, pra não acordar cansada...

Mas ter sonhos de dia. Dizem que são sonhos mais reais. Palavra de Edgar Allan Poe...

Ontem comprei um livro de Rumi que diz que não sou mais amarga, vivo imersa em açúcar (talvez eu exagerei nas últimas semanas)
E questiona o porque do meu temor ao inverno, quando tenho a primavera?

Fui visitar o Dada, que quer fazer um grupo pra Índia e tudo o que pergunto é se posso ficar na Amma. Ele ri e diz "sim sim sim" com aquele sotaque indiano. E volto pra casa com uma sacolinha cheia de pastas para pés, dentes, pele. Amo ayurveda.

(suspirei.)

Tem pasta para fazer uma piscina no meu coração e ficar lá por horas? Eu percebo agora um pedaço de mim tentando aparecer no campo aberto, espiar lá da floresta como um bambi arisco, e ter certeza que nenhum cupido doido quer acertar um flecha em mim, flecha que já tem outra dona.

Chega de viagens cupido. Vê se assenta você também.

(suspirei.)

"Relaxa ombro, relaxa". Deixa de querer carregar tanta maya... uma mochilinha com comida e Jolie dá por enquanto e irá poupar minha coluna.

Se entrega ombro no "porque não" e aceita o que vem.

"E se não vem?". Então vamos fazer compras no hortifruti, porque simplesmente não tem.

Entresafra. Falta no mercado. Procura maior que a oferta. Não nasceu ainda.

Não amadureceu.

"Hmmm."

E assim sigo espiando o espelho da minha alma pra saber direitinho o que ela quer,
o que ela tem pensado,
o que ela tanto teme.

Que minha sombra siga me enfrentando, porque estou bem de frente pra ela.
O jejum é pra ela e o crescimento virá através dela também.

Hare Om.


Toca Samba Sadhashiva com Donna de Lory. A foto é de meu amigo Mau Carniel, que sabe que amo fotografar o Sol.

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