POESIA & INSIGHTS
"A poesia não é minha. É como o vento, que só passa através de mim." Chico Xavier

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Para Jolie, my girl




As life goes on I’m starting to learn more and more about responsibility
I realize everything I do is affecting the people around me
So I want to take this time out to apologize for things I have done
And things that have not occurred yet

And the things they don’t want to take responsibility for
I’m sorry for the times I left you home
I was on the road and you were alone
I’m sorry for the times that I had to go

I’m sorry for the fact that I did not know
That you were sitting home just wishing we
Could go back to when it was just you and me

I’m sorry for the times I would neglect
I’m sorry for the times I disrespect
I’m sorry for the wrong things that I’ve done
I’m sorry I’m not always there for my sons

I’m sorry for the fact that I'm not aware
That you can’t sleep at night when I am not there
Because I am in the streets like everyday
Sorry for the things that I did not say
Like how you are the best thing in my world
And how I'm so proud to call you my girl

I understand that there are some problems
And I am not too blind to know
All the pain you kept inside you
Even though you might not show
If I can't apologize for being wrong

Then it’s just a shame on me
I’ll be the reason for your pain and you can put the blame on me.

(foto: Quadro De Picasso, MOMA NYC 2009)

segunda-feira, 27 de abril de 2009

SUB_WAY


Loiras, morenos, olhos pro_fundos
Tudo aqui e tão longe
Give me some_thing
Give me a blink
As freadas do subway con_densam
Amores sub_terrâneos...

Eu me seguro
Segundo infinito
Das estações quentes e frias
Do uni_verso invertido do mesmo trem que vai e volta
Do mesmo corpo que ama e sufoca
Que deita, e acorda também.

Adormecidos esquecem o sol
Ficam na solitude das vias trans_versas
Da agonia perdida
Como a dos ratos do trem.

domingo, 26 de abril de 2009

Minha amiga

Amiga feita de algodão doce - amiga que ri quando você chora, porque quer te ver imitando ela. Amiga que traz uma dancinha na bolsa, roupas lindas e muita alegria na malinha... Amiga que cai abraçando, e que sabe levantar astral: só colocar Ivetona no radinho e uma garrafinha de Moet Chandon num vôo para Nova York... Imperial, of course! Amiga que compra sorvete Hagen Daz no Leblon quando o carro estraga na grande noite de festa, afinal "todas as estrelas, são por um dia, cadentes..."

Amiga que vem do sul, ou viria de qualquer lugar pra dar colinho, pra beijar a afilhada, pra encher os olhos na praia... Que tem covinha na bochecha e topa (quase) todas! Amiga que vem de Madonna, que paga mico, que faz pagar mico, que adora indiada... Amiga que lembra numa ocasião que "Amor é a arte do (des)encontro" e noutra, que o "segredo está no (des)encantamento"...

Amiga que trabalha junto nas viagens adolescentes, que enche a festa de despedida de whipped cream nos cabelos da amiga... Amiga que perdoa ter ficado sozinha na parada, que escuta asneira mas não fala, que naturalmente filtra o que sabe que não veio do coração...


Amiga que celebra a vitória e ensina celebrar a derrota também " pra cima! Você deve ter se livrado de uma bomba!"; que tem talento escorrendo pelas mãos, que lê o que está além, que vê até o que já saiu do horizonte. Amiga que tenta esconder a dorzinha, pedindo um tempo silenciosamente, pra entender os percalços da vida...

Essa é minha amiga, que não divido com ninguém. Desapego um pouquinho só da maninha, pra deixar ela iluminar outros palcos pela vida.
Te amo Grande baixinha ;)













sábado, 25 de abril de 2009

Preciso agradecer!



Obrigada por me proporcionar tanta reflexão, pelas situações de frustração, mas extremamentes importantes para eu saber quem não quero ser. E crescer...

Obrigada por me mostrar como se escreve um texto magoado, um texto quadrado, um texto que não sabe aceitar amor de bandeja, porque "algo deve estar errado".

Obrigada por, neste momento, estar duvidando do que escrevo e, mais uma vez, apagando e depois copiando.

Obrigada por ignorar, por chutar o balde, falar A e depois falar B, por julgar (exatamente como estou fazendo agora), por achar tudo falso, pois é bonitinho demais, e por me permitir ver só o que há de bonito em você: meus olhos são assim!

Prefiro a beleza do que a crítica, a rima do que o breu, que me recorda fugir e fugir e fugir de si mesmo, na certeza de que o fato de ter entrado num avião o faça mais racional do que aqueles que nunca andaram de ônibus...

Me mostrou que sou capaz dessa intensa sensibilidade por toda minha vida, a maneira que consigo fluir em tudo que faço, perfeita ou imperfeitamente, sem nunca ter saído do meu mat. Amei você desde o primeiro momento que o vi, e foi nada além disso que tentei mostrar nas minhas poesias certinhas: minhas noites acordadas, sonhando; meus dias sem comer, pensando, minha alegria em estar abertamente compartilhando...

Mas obrigada por estar errado, e por mostrar que eu estava errada também. Que errei tentando acertar, que perdi tentando doar, que começo do zero achando que estava um a um.

Obrigada por colocar o ego socado dentro do coração, porque não cabe mais na cabeça.

Obrigada pela tua existência: você é lindo do jeito que é, você acende amor e odio dentro de mim ao mesmo tempo. Sangrar para se sentir viva.

É a melhor sensação do mundo ver que estou na caminho certo! E perceber que não faço yoga.


EU SOU YOGA.


quarta-feira, 22 de abril de 2009

JAYA




Dobro meus joelhos com devoção. Pequenininha e gigante ao mesmo tempo.
Me animo, renasço quando elevo os braços e entrego pra ti minhas mãos.

Te amo porque está comigo, dentro de mim. Te amo porque você me escuta escondidinho, e me dá respostas devagarinho.

Te amo porque me sinto inteira, uma, e você me ensinou isso.

Nossos passos são dados juntinhos, mesmo ritmo. Você vai no meu flow, as vezes me desacelera, me alegra!

Quando estou tristinha, quase que diminuída, você aparece do nada, e me põe pra dormir. Provavelmente durante meu sono, consome minhas dúvidas, me livra de culpas, me dá colinho.

Se todos soubessem do teu jeitinho... E mesmo assim você está aqui e em todos os lugares, cuidando com carinho da minha comida, do meu sustento, do meu coração, construindo nesse momento sentimentos daquele amor que vai ser meu caminho, preparando o chão forte, firme do entendimento fora desse contexto, do mais que relativo e sublime e divino e completo e íntegro, e verdadeiro processo de estar junto.

Você me compreende: me aquieta me faz suspirar. Coloca a mão nos meus ombros, relaxa meus pensamentos, troca idéias comigo sem ao menos eu perceber que já converso contigo...

Como pode você transbordar através da poesia, sabendo que só assim te dou ouvidos? Usa meus dedos, atravessa minha alma, aparece escrito em todos os lugares que olho? Sinais.

Tira meu ego do caminho, não permita que algum dia eu levante maior que os outros, autêntica sim, sou de um jeito e o outro, de outro, mas que na minha diferença exista equanimidade.

Jaya, querido, jaya. Que sejamos sempre filha e pai, pai e filha. Te amo.

Jaya Krishna.

KISS OF AN ORGANIC BLISS



Orgânica.
Assim que sou.

Como uma flor, que respeita o tempo de sua semente, da primavera, do sol, e depende da chuva pra sobreviver.

Orgânica que sou, inteira, livre de qualquer agrotóxico, que foge da poluição e precisa de um dono.

Integrando o verde a minha volta, o toque daqueles que me admiram, minhas cores.
Que me abro de dia e me recolho a noite.

Orgânica, sem invenção alguma, sem tecnologia, nem roupas finas. Não preciso de vaso, sobrevivo com meus pés no chão. Terra firme, real natureza.

Sou uma flor que balança com o vento, gosta de renascer perto do mar, olhar, olhar...

Se entregar no ar.

Minhas pétalas me abandonam sem apego, minhas folhas abraçam o pôr do sol. Sou orgânica, beijo o nada, me encanto com o que os olhos não alcançam, o horizonte está aqui adiante, quase posso tocá-lo com meu perfume.

Sou orgânica: sou feliz com ou sem, agradeço tendo ou ainda não, observo, invento, desconstruo, jogo fora. Busco outra vez. Amo, dês-amo, a cada esquina me apaixono.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

No oceano de asfalto



Tudo que cheira a estranho é sagrado: Deus não coloca perfume barato naquilo que ele quer mistério.

Se em cada passo, cada postura, cada movimento meu ao redor do sol, que sol é esse que me acompanha, que me alimenta?

Deus não quis coincidência senão pra me fazer rir. Nem a você, nem a mim.

As palavras azedas, coloco mel para adoçá-las, e na leveza dos meus enormes pesadelos deixo a corda solta, presa à mesa que nos deixa interligados a tantos mil passos...

Eu procuro entender os olhos das pessoas: procuro entender se há julgamento ou não – me recolho, choro, sofro então...

E renasço, mas linda, bela e de alma elegante. Então relaxe, toque, cante!

Toque o coração de quem estiver do seu lado. Faça pacto, faça apostas de quem chega primeiro ao pote de sorvete. Seja carente, respeite...

Amo amar você, e não tenho vergonha disso. Pra mim, é um presente, a oportunidade da minha largada, a certeza da tua lida, a importância da tua vinda.

Deus me dará mais e mais palavras, impressões, sugestões. Me dedicará cada passagem do vento pelas minhas costas, da chuva no teto, do sol indo embora pra então te aquecer.

São meus os encantos dos namorados, as ruas cheias ou vazias, a falta que tenho de tudo que não sei reconhecer.

Mas te olharei daqui, dali, de onde eu estiver, porque meus olhos fechados te levam a lugares que você nem imagina. Pura adrenalina, suor, festa de nós dois, minha cama, uma salinha.

Me perturbo, te perturbo, perturbo Deus: “onde será que ele se meteu?” Que siga cantando, tocando, poetizando, mas que seja feliz. Porque é assim que se ama também.

Devolvendo, sem apego, o homem que Deus ainda nem me deu.


“People can heal having an autentic connection with an autentic human being”

sábado, 18 de abril de 2009

Minha fuga em tua direção


A fluidez de algumas notas me lembram como eu olhava para o mar.
Parada com minha cadeira na areia, ondas falavam comigo. Não entende?
Então senta de frente pro mar, olhos fechados e sente. Assento, ásana, respire.

As ondas me trazem força, certeza, compaixão talvez.

Todas as vezes que ouço você escrevendo é como se tudo o que aprendi tivesse sido em vão, que todas as verdades tivessem melado em erros saudáveis. Tuas letras, tua risada é consumo meu. Cada ponto eu crio uma linha; cada estrofe, uma vida.

Minha imaginação rola, minhas ondas mentais se intensificam. Muitos metros de altura! Ondas insurfáveis!

Por onde quer que você passe aqui dentro, como mocinho ou bandido, quero te puxar pra perto de mim, te dar carinho, te maltratar também, com meu jeitinho.

Se os dedos tocassem minha alma do jeito que tocam tua harpa eu seria uma pessoa bem feliz. Mais ainda, com a fé inabalável, porque então os dedos e mãos e braços da verdade teriam, enfim, chegado. E ela existiria.

O pensamento que tem lei contra a imaginação que não quer ter regras. Eu fico olhando os dois de fora, apreciando a subversão. Sou, mas quero não ser.

Fico, mas quero ir,
Tento, mas já desisti.
Te amo, mas fujo de ti.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Autor desconhecido

I took the pieces you threw away
and put them together by night and day,
washed by rain, dried by sun,
a million pieces
all in one.

(from the High Museum of Atlanta)

terça-feira, 14 de abril de 2009















"Toda arte é feita de silêncio.
Inclusive a própria música."

(Mário Quintana)

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Don Juan de Mário



Deve ser uma merda ser Don Juan. Concordo com o Mário.

Existe uma fórmula, pré estabelecida. Pra mim, pra lá de vencida. Você percebe quais são as falhas no sistema masculino do mundo moderno (ocidente) e vasculha o que funcionou no cinema e também no oriente. Pega tudo aquilo que no passado dava resultado. É só lembrar do que os bons e concorridos homens faziam (naturalmente, e não como chamarisco) há uns 20 anos atrás, e lembrar do efeito que surtia, nas nossas mães a avós. Pronto. Parece dia de show no Maracanã.

Ou talvez nem seja necessária a viagem no tempo. Basta ser misterioso e ser elegante. Sua voz deve ser empostada, suas roupas nada sofisticadas, mas impecáveis ao mesmo tempo, bem boladas e apertadas...

Basta você falar pra nação, e não somente para um cidadão. Assim, o império das meias palavras reina, e toda fala fica eterna, pra quem quer que tenha coragem (e falta de oportunidades) se sentir.... oh, apaixonada.

Mas Don Juan não joga! Afinal ele é diferente de todo mundo... ele é único. Ahhh (suspiros).

Ele manipula a ele mesmo e nem sabe disso. Tira onda de pode sim fazer tudo aquilo que seu ex marido ou seu outro namoradinho não fez por você. E de repente Don Juan (ele é bom!) precisa ser verdadeiro e deixar você em paz, porque ele ainda não se encontrou completamente.

E nem ouse ficar sem falar com Don Juan! Se o fizer, que chato pra você, ressentida, magoada, frustrada. Acordada.

Mas é isso, ou pior.

Nas minhas aulas de Vedanta fico olhando para as senhorinhas. Algumas, ali há bastante tempo. Sem aliança no dedo. Quantos Don Juans disfarçados, velhinhos, não as empurraram para o universo das respostas? Bem, aqui estou eu, pois a questão que tenho é: porque as mulheres buscam o que ninguém tem pra dar - naturalmente? Isso é hibridismo no mais literal uso da palavra criada em 2001 por intelectuais nascidos em Sourbourne? Ou seja, água demais na cabeça? Sei que Marta Medeiros já entrou nessa conversa diversas vezes. E a admiro porque ela sempre tem uma nova teoria. Quanta criatividade... e a gente segue perguntando!

Mas Don Juan, veja bem. Sai dessa. Provavelmente nem você saiba que hoje o amor ficou brega, que mulheres têm mais músculos que homens, que romantismo, já era. Você deveria sinceramente pensar em se aposentar. Mário, por exemplo, Quintana, há tempos já dizia que você estava ficando pra trás: "Mas que monótona deveria ter sido a vida de Don Juan! Ele pensava que todas as mulheres eram iguais!"

Don Juan - hoje nós pensamos. Hoje algumas de nós são inteligentes demais, o que dificulta seu ataque e estimula sua fuga. E a gente fala, e escreve. Provavelmente todas as suas conquistas e desapegos tão, assim, sinceros, germinaram em monstras que não se calam. Me desculpa Don Juan minha verdade.

Não ache que é pessoal. É só sinceridade.

(foto: Don Juan disfarçado de cachorro abandonado em Santa Teresa, só pra ganhar carinho das mulheres...)

sábado, 11 de abril de 2009

Espelhos partidos têm muito mais luas



A ficha caiu, coração estará partindo junto com a lua cheia.
Fico quietinha me recolhendo, esperando o renascimento.

To be re-born in USA.

Arrumo minha mala: passado, presente e futuro se misturam.
Roupas, lembranças.

A vontade ficou no saco das calcinhas, minhas rimas minhas rimas.
A saudade coloco junto com os sapatos, lá embaixo. Um dia eu a calço.
Minha câmera fotográfica já tem espaço.
Casaquinho quente pra me lembrar teus, um dia, abraços.

Uma árvore enorme tem nas costas, meu ganesha vai na bolsa,
cuidando do que vem pela frente.
Meu corpo já não vive mais o presente. Já está na volta.

Há tempos te olho, há tempos, pra mim retorno.

Cada gesto, palavra, intonação.
Todos os movimentos, cada tempo que você passou bem perto de mim.
Passageiro? Não.

Entro nessa viagem como um quebra cabeças que quer virar paisagem, voltar inteira.
O coração vai de táxi encontrar Tom Jobim ouvindo poesia. Lendo poesia, vendo poesia.

Lembrando poesia, o toque da poesia.

Tuas dúvidas estão em nós; teus medos, divide comigo.
Tanta certeza na incerteza, deixe seu o corpo dançar na correnteza...

Porque mesmo que mil pessoas não consigam entender o amor do sol pela lua, o amor que se sustenta, ying e yang, eu sigo admirando o orgasmo de cada eclipse. Um reflexo no outro. Um caminho cruzado, o outro apoiado. Eu amo!

Lá de cima, estrelas virão de encontro a minha lua partida, me contando cada segredo do sol que na noite se esconde. E eu crescendo, tecendo o caminho da ida, do tempo, da vinda.

Minha trilha, minha poesia, é a vida. Tão bonita.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

A rainha versus o general




Um virou dois. Dualidade dividida conforme a hora que tu olha.
Vista devassável, me venderam assim, mas pra qualquer lado que eu olhei, enxerguei nada.

"Morangos", pensei, "melhor se fossem sem a vodka". Não sei como cheguei.

Em casa.

Lembrei de Arjuna, poxa amigo, o quê você faria no meu lugar? Estou fugindo da guerra ou estou no meio dela, levando flechadas de todos os lados? "Cuidado"... ouvi vindo de algum lugar.

Pára e pensa comigo, pensa aqui comigo: se o império das meias verdades co-existisse com o império das meias palavras, uma palavra inteira seria o Todo, e ela cheia de sinônimos, seria...

Não consigo pensar na Vedanta, perguntarei à Glória na terça. Mas o que foi que eu escrevi no guardanapo que não consigo decifrar agora? S-o-p-a d-e a-i-p-i-m s-e-m a c-a-r-n-e s-e-c-a- e-c-a!

Há tempos que não danço, tipo assim, num lugar onde todo mundo se olha, sem se querer, mas se enchendo de defeitos (defeitos nos outros são qualidades que não temos) que tem quinhentos cheiros de perfumes muito ruins, e ninguém cheira a sândalo como meu travesseiro.

Esse foi um dos dias que acordada, queria voltar a dormir.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Meu coração acendeu



Obrigada por você ter entrado na minha vida. Ou, bem... na verdade você continua sentado na porta. Entra!

Eu sei que ando sem fome e também sei que esqueço de tudo. Talvez isso não seja bom. Talvez seja assim mesmo. E talvez seja a melhor sensação da minha vida.

Da minha vida...
Uau.

Obrigada por você sorrir e rir, obrigada por ser diferente. Totalmente diferente de tanta gente. Tudo bem que nunca imaginei me aproximar de um palhaço, que ainda faz piada de mim... e mesmo assim, ter coragem de dizer que o amo.

Obrigada por me ensinar a refletir, sentir, chorar, voltar a sorrir. Obrigada por processar. Obrigada por escrever tão bem, me devolver a poesia. E se sua "técnica" for pra outra menina, sem problemas, pelo menos voltei pra minha escrita.

Obrigada por não saber de nada, e ao mesmo tempo, poetizar. Não entender e me perguntar. Assim, reviro meus traumas, tiro daqui de dentro tudo o que pode atrapalhar.

Fico pensando em você, quase que desesperadamente. O que foi que aconteceu? Não ando me reconhecendo ultimamente...

Isso é sério, chamem o médico. Meu estômago dói, minhas aulas andam flutuantes, ninguém entende mais nada. Ou nem percebem...

Amanhã começo uma maratona de feriado, quando na verdade queria ficar do teu lado, escrevendo, te conhecendo, agradecendo...

Tá chovendo lá fora. Aqui dentro maior calor. Dharminha corre de um lado para o outro. As vozes da televisão me irritam. Não tem comida na geladeira porque esqueci de comprar.... E nem dá pra lavar roupa porque não vai ter onde secar!

Saída mesmo, fone no ouvido, deitar, rezar e apagar a luz.

(Do meu coração?)


Ninguém mais se parece a um verdadeiro tolo / que o mais sutil dos sábios quando ama. (Mário Quintana)

Meu alimento





Meu alimento é a chegada. É a notícia, é poder colocar os pés no chão. É partida.

É o que tiver de ser. É fazer amor sem pressa, sem jogo, amor que quer dar e receber.

Meu alimento é uma respiração. Uma respiração calma. Ou não.

Meu alimento é relógio parado, música no looping. Cerveja ou vinho na mão.

É céu azul, céu com estrelas, céu nublado. Céu invertido.

É saudade, viagem, é pura insensatez. É um caminho que vai ficar divino.

Meu alimento não tem nome, é o que você tiver pra me dar. É falar, ficar, criticar, beijar, reclamar, esperar passar.


É ansiedade pura, é insônia, é yoga. É desequilíbrio em busca do surreal. É voltar a ser criança.

I felt my life with both my hands


Com minhas duas mãos, segurei firme minha vida.
Tremia, pois percebi que o medo se aproximava.
Mas era preciso (talvez não tão fácil)
deixar sorrir minhas mais profundas vontades.

E pra ver se eu estava viva,
acabei deixando a caneta sangrar.
Contive meu espírito, o joguei na rua,
era possível só meu corpo usar?

No espelho não estavam seus reflexos
mas um apego à tua poesia
Deixa ela, rima é rima.
É de quem lê primeiro,
ter crédito, é fantasia.

Eu julguei meu exagero, doeu, mas pedi desculpas.
Isso é bem mais difícil de fazer.
Nas impossibilidades vou transformar o difícil
na melhor forma de te fazer me ler.

Uni tudo aquilo que eu achava desespero.
E joguei fora, junto com todas as flores mortas
Falei pra eu mesma "tome coragem amiga, é teu amor!"
Deixe-o livre, ele precisa sair pra dar uma volta...

Now I know, now I know!
Isso foi há um tempo atrás
We must learn how to climb heaven, angels live upon the sky...


(foto: Em 2008, em Naples, nossa procura por golfinhos)

terça-feira, 7 de abril de 2009

Doeu





Acordei com a pele do rosto marcada pelo livro. Dormi com o ipod ligado na altura máxima. Interessante isso.

Lembro de ter cantado meus mantras, e assinado minhas rezas. Mas não lembro do livro. Enfim.

Lembro de ter contado as horas, trocado as horas, deixado as horas... A mistura de sonho com realidade, da criação com relativo, da ilusão com tudo aquilo que foi dito.

A razão, a contestação, acordaram junto comigo. Minha cabeça dói, estou com dor nas costas. Uma enchente de sentimentos, como se eu tivesse corrido uma maratona dormindo. Ah, já sei, foram as malditas dúvidas que queriam respostas a noite toda, e não me deixaram dormir. Foi isso.

Uma confusão de querer, de exagerar, de se culpar, de jogar ou não jogar. Um troca troca de música, uma vontade de comer e não ter o quê.

Enquanto os anjos dormiam, o inferno fazia festa... e agora olhando pra essa tela, negra, simples, branda e bela, cada forma sem regra nasce de repente, sem pedir licença.

Meus pés, não sei onde os coloco. Ainda tenho que me vestir. Minha boca ainda está seca, do que eu quero beber, não foi posto à venda. Fácil ou difícil, mais uma questão, mais uma dor. Onde foram parar minhas certezas?

Putz, que dor de cabeça.


(foto: highway entre Naples e Miami, 2008)

domingo, 5 de abril de 2009

um ótimo dia




Que todos nós tenhamos um ótimo dia.
Que sejamos coerentes com nossos mais íntimos sonhos; que sejamos flexíveis com aquilo que não conseguimos mudar. E que eu aprenda a rir de mim mesma.

Que eu consiga olhar pro céu, olhar para os lados, e esquecer um pouco meu próprio umbigo.
Que eu siga reconhecendo meus erros, distribuindo sorrisos e aceitando o que me é difícil.

Que meu dia seja longo, intenso, novo. Que venha repleto de descobertas, de agradecimento, de amor. Agradecimentos do que eu tive ontem, do que sou hoje, e de tudo aquilo que ainda virá.

Que seja ele, meu dia: onde me amarei acima de tudo, enfrentando o mundo com inteiras verdades, meio caminho andado pra se viver em paz. Que eu esteja feliz com meu dharma, com minhas inspirações, com a presença de quem quer que seja.

Que você esteja presente mesmo que ausente. Que deixe, que sustente.
Ou que seja breve, mas sincero.

Que eu inicie algo sem esperar o final. Que eu termine aquilo que já não faz mais sentido. Não sinto. Que eu tenha a coragem de não querer, e a humildade de dizer que errei.

E que neste dia tudo seja como tiver de ser.

Lindo... me deixa viver.

A última romântica


Não quero deixar de ser romântica,
nem deixar de fazer marquinha...
Quero seguir cozinhando gostoso
e dando frutinha na boquinha.

Não quero deixar de sonhar em filhos
nem parar de deixar bilhetes na mochila
Quero escrever dezenas de cartões
lembrando que serei sua por toda a vida.

Quero dizer que te acho lindo
contar isso pra todas vizinhas
Encher o olho de lágrima
Quando você chegar em casa da aulinha

Lembrar de datas, de gostos, de dias
ser um diário vivo de nossa existência
Ser sua amiga, amante, parceira
e não abusar da tua paciência...

Chorar um pouquinho fará parte
desse coração derretido
É só você me dar algo
que eu nunca tenha pedido

Precisar disso tudo não precisa
Mas é bom ser agulha no palheiro
Só te peço por favor, não confunda
pois não sou mais uma no milheiro.

Tenho o presente dentro de mim
Passado, já aconteceu
Te espero cheirosinha e feliz
Porque não há mais ninguém como você e eu.

(foto: um bom Rioja, no Bazzaar em Atlanta)

sábado, 4 de abril de 2009

Livro de cabeceira



As palavras que vou escrever em você, só serão apagadas com o nosso suor. Então cuidarei de cada letra que atravessa a caneta e escorre na tua pele, para que não haja qualquer injustiça.

Extremamente cruel, será a primeira, perto do seu coração. Aquele que desestrutura minhas ilusões, anula minhas imperfeições e mesmo assim, me deixa mais inteira. Depois, no meio de tuas costas escreverei, Ser amado. Meu sentimento futuro, já deixo escrito no presente, como que num ensaio.

(a minha também), auto explicável, escreverei na sua nuca, um pouco mais abaixo... Nos teus braços, deixarei simplesmente "
asas". Nas tuas mãos, pegada forte. Agarrando a vida com as duas mãos...

Vou respirando perto da tua pele. A tinta secando, anulando qualquer erro na escrita.

Perto de sua boca deixarei,
feito silêncio. Nos teus olhos, sombra e luz. Aí páro, e pergunto para teus ouvidos, se está tudo bem.

Nos teus ombros escreverei:
abraço eterno, como quem fica abraçando mesmo não estando mais ali. Escreverei nas tuas coxas teus mantras favoritos, e nos teus pés o quanto cuidarei de ti. Só assim, cada vez que você olhar para baixo, terá motivo para voltar o olhar para frente.

E abaixo do teu umbigo agradecerei:
harih Om.



The More Loving One




Looking up at the stars, I know quite well
That, for all they care, I can go to hell,
But on earth indifference is the least
We have to dread from man or beast.

How should we like it were stars to burn
With a passion for us we could not return?
If equal affection cannot be,
Let the more loving one be me.

Admirer as I think I am
Of stars that do not give a damn,
I cannot, now I see them, say
I missed one terribly all day.

Were all stars to disappear or die,
I should learn to look at an empty sky
And feel its total dark sublime,
Though this might take me a little time.

(poesia de Wystan Hugh Auden - breathtaker)

De mim pra mim mesma




Miila! Na estabilidade, a instabilidade nos alcança - falta morte, falta vida!
Seja consciente de sua consciência - melhor lágrima + sorriso + lágrima + sorriso - sair de cima do muro, cair no jardim de flores - vai e se atira!
Abstrai dos espinhos, das ervas daninhas...
Fecha os olhos e ... salta! Afinal de contas, só você tem a rima...

I generally avoid temptation, unless I can't resist it - Mae West

(foto: no Solstice em Atlanta. Asa da Angel, sweet Angel)

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Debaixo da mesa


Já vi que estou andando pra trás de novo. Saco!
Já percebi meu corpo se retirando sozinho de cena. Tudo está tão escondido nas superstições da minha mente! Como se em todas as palavras eu lesse: "Não acredite nisso".

Durante o dia todo estive sátvica, mas tão sátvica que quase não dei aula. A vontade era de rolar um auto abraço o dia todo. Não comi, porque não deu fome; não telefonei, porque estava fazendo algo mais importante com minhas mãos. Quase não dormi porque era bom demais ficar acordada.

Será que não percebo que não sou a única? Que são tantas! Será que não vejo que esse caminho é muito cedo pra mim, assim, tão verdadeira? Ou pior, que nunca será? Essas mãos, nunca próximas daquelas?

Eu Te seguirei, melhor assim. Mas você: suas idéias nunca serão minhas, nem pra mim. A brincadeira seria perigosa demais, nesse espaço tudo é demais, e eu amo discrição, amo dois, amo meu ciúmes romântico, e não posso mais uma vez virar o rosto pr'aquilo que me deixa em paz.

Não agora, tão resetada, madura, afim da entrega sublime, rica. Uma complexidade de sentimentos, de vontades, melhor jogar tudo fora, sem apego.

Quero ser a caça, ando cançada de ser o caça-dor.


(foto da minha afilhada Lolly)



Flowing





Tive que aprender a dançar comigo mesma. Um som alucinante que vem do meu coração misturado com minha respiração.
Nada por cima de mim, nada por dentro de mim! Somente eu nua em todos os sentidos.

Meus sentidos? Abandono-os.

Espero o tempo passar, dançando!
Espero o sol nascer, dançando!
Espero o relógio ajudar, dançando!

Há vida aqui perto, há vida por todos os ângulos que meus braços alcançam.
Há luz vinda de longe.... há um cheiro caseiro, um cheiro meu, um cheiro que andava perdido.
Há passos vindo de alguma direção, quase consigo ouvir!

Há gosto de vida, gosto de felicidade, gosto de verdade...
Há minha entrega pra percorrer o caminho, sem pressa, um passo depois do outro... fluindo...

Minhas imagens traduzem o que se passa na minha cabeça.



"You cannot touch me but your light fills the ocean where I live"

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Medo


Invertidas. Querendo conhecer o oposto.
De cabeça pra baixo procuro confusão. Das boas, com tempero (seu tempero).

Como é bom soltar os braços, soltar os sims e os nãos, voltar a ter medo.

Do abandono, da rejeição - vida.
Da aproximação, da respiração, do beijo - destino.

Como é bom sentir medo!
Com tantas cobertas, mantas, máscaras, falsas palavras vou me escondendo e chega uma hora que nem na ponta dos pés consigo enxergar o lado de fora!

Vou escutando, escrevendo, lendo, adivinhando. Mantras para Durga, Lakshmi (amor é o maior tesouro!!!), Kali, Ammaritaya namaha!

A mulherada se reunindo, tricotando, pensando no meu caso. Se mandam baixar a energia cósmica de vez ou se me deixam rodando entre meus samsaras mais um pouco.

E nesse meio tempo, Jung me deixaria sonhando com a desconstrução.